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04/10/2011 - 18h14

Quarto monge tibetano se imola em protesto contra a China

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EDWARD WONG
DO "NEW YORK TIMES", EM PEQUIM

Um jovem monge tibetano pôs fogo a si mesmo na segunda-feira numa cidade remota do oeste da China para protestar contra políticas chinesas. É o quarto monge do mosteiro de Kirti a imolar-se este ano, segundo um grupo de defesa da causa tibetana sediado em Londres.

O grupo em questão, Free Tibet (Libertem o Tibete), disse em release à imprensa que o monge, Kalsang, se imolou às 14h locais numa feira de rua na cidade de Aba, conhecida em tibetano como Ngaba.

Kalsang segurava uma foto do dalai-lama, o líder religioso tibetano exilado, e fez um chamado por liberdade religiosa, disse o grupo. Autoridades de segurança teriam apagado as chamas, mas, segundo o grupo, não é sabida a condição em que o monge está.

O Free Tibet não especificou as fontes de sua informação. Não houve declarações imediatas de autoridades chinesas, e a imprensa estatal chinesa não mencionou a imolação.

A primeira imolação deste ano em Kirti, um mosteiro que esteve ao centro dos protestos locais contra as autoridades em 2008, aconteceu em 16 de março, quando Phuntsong, um monge de 20 anos, se matou. Em 26 de setembro, dois outros monges jovens de Kirti atearam fogo a sua roupa, mas acreditou-se que tivessem sobrevivido. Um deles, Lobsang Kalsang, era um irmão de Phuntsong.

Antes deste ano, o único caso conhecido de um monge que ateou fogo a si mesmo nos tempos recentes ocorreu em fevereiro de 2009, também em Kirti. O monge, Tapey, sobreviveu depois de as chamas terem sido apagadas por forças de segurança.

Em agosto e setembro um tribunal local sentenciou três monges a longas penas de prisão pelos papéis que teriam tido na morte de Phuntsong. Um deles era um tio de Phuntsong.

Aba fica na província de Sichuan, que abrange as regiões de Kham e partes de Amdo, que fazem parte da área tibetana. Conhecidos como khampas, os tibetanos de Kham têm fama de bravura. Na primavera de 2008, muitos khampas e pessoas de Amdo participaram de um levante amplo contra o governo chinês. O levante começou com protestos e turbulências em Lassa, a capital tibetana.

No sábado, tibetanos na cidade de Seda, na província de Sichuan, conhecida em tibetano como Serthar, penduraram uma grande foto do dalai-lama de uma construção central. A informação foi postada em um blog por Woeser, escritor tibetano residente em Pequim.

Exibir imagens do dalai-lama é ilegal em qualquer lugar da China, incluindo as áreas do Tibete governadas pela China. Quando as autoridades arrancaram a foto e uma bandeira tibetana, cerca de 200 tibetanos fizeram um protesto pacífico nas ruas.

Foram distribuídos folhetos pedindo resistência contra a China. Segundo uma tradução dos folhetos feita pelo blog High Peaks Pure Earth, que rastreia notícias do Tibet, as primeiras duas linhas de um folheto dizem: "Irmãos tibetanos, não adormeçam sob a opressão dos chineses. Lutem por sua religião, sua língua e seus costumes."

TRADUÇÃO DE CLARA ALLAIN

 

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