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Na ONU, Rússia e China vetam sanções contra a Síria; Brasil se abstém
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DE SÃO PAULO
A Rússia e a China vetaram nesta terça-feira a resolução defendida pelos países europeus contra a Síria no Conselho de Segurança das Nações Unidas. De acordo com a própria ONU, a repressão do ditador sírio Bashar al Assad já deixou ao menos 2.700 mortos desde o início dos protestos pelo fim do regime. O Brasil se absteve durante a votação.
A resolução foi rejeitada no conselho formado por 15 membros por nove votos a favor, dois contra, e quatro abstenções. China, Rússia, EUA, Reino Unido e França detêm poder de veto.
O Itamaraty confirmou à Folha.com que o Brasil se absteve durante a votação, ao lado de Índia, África do Sul e Líbano.
Nenhum país dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) apoiou a resolução. Os emergentes vêm criticando há meses os EUA e a Europa pela intervenção na Líbia, que, segundo eles, ultrapassou o mandato aprovado pelo Conselho de Segurança que previa a proteção de civis.
Em reação ao resultado, o embaixador da França nas Nações Unidas, Gerard Araud, disse que os países que se opuseram ou se abstiveram --mesmo após o texto ser "suavizado" fizeram uma "escolha política".
"Isto não é uma questão de palavras. Trata-se de uma escolha política. É uma rejeição a todas as resoluções do conselho contra a Síria", afirmou.
O francês, no entanto, deixou claro que os europeus devem continuar insistindo. "Este veto não vai nos deter. Nenhum veto pode dar carta branca às autoridades sírias", disse.
Os EUA mostraram "indignação" frente ao resultado da votação. "Os Estados Unidos estão indignados com o total fracasso deste conselho em se posicionar perante um desafio moral e uma crescente ameaça à paz e à segurança da região", disse a embaixadora americana na ONU, Susan Rice, condenando os países que, segundo ela, "preferem vender armas ao regime sírio".
ASSAD
Mais cedo, o ditador sírio disse que seu país vai "incendiar" o Oriente Médio e atacar Israel caso o Ocidente promova uma intervenção contra seu regime.
De acordo com o jornal israelense "Haaretz", a agência de notícias iraniana Fars divulgou as declarações de Assad quanto à possível reação de Damasco caso o país seja alvo de uma ação similar à que ocorre na Líbia.
"Se uma medida louca for tomada contra Damasco, eu não precisarei de mais de seis horas para mover centenas de foguetes e mísseis às colinas de Golã para lançá-los contra Tel Aviv".
Além disso, Assad prometeu que convocaria o Hizbollah, no Líbano, para também atacar Israel. "Todas essas ações acontecerão em três horas e nas outras três horas, o Irã vai atacar os navios de guerra dos EUA no golfo Pérsico e os interesses dos EUA e dos europeus serão atacados simultaneamente", acrescentou.
RÚSSIA
Este é o primeiro veto sino-russo desde que os dois países bloquearam sanções contra o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, em julho de 2008.
O vice-chanceler russo, Gennady Gatilov, disse mais cedo à agência de notícias Interfax que a resolução era "inaceitável" porque previa sanções mas não fazia um chamado ao ditador sírio para que começasse a dialogar com a oposição.
Na versão final do documento rejeitado, o Conselho de Segurança exigia que a Síria interrompesse imediatamente todo o tipo de violência e passasse a proteger os direitos humanos. O texto solicitava ainda que o regime desse início a um "processo político inclusivo liderado pela Síria".
CONCESSÕES
Antecipando a rejeição de Moscou e Pequim à resolução, membros europeus do órgão da ONU (Organização das Nações Unidas) suavizaram os termos das sanções que seriam impostas ao país por três vezes nas últimas semanas.
O rascunho da resolução foi elaborado pela França, com a cooperação do Reino Unido, Alemanha e Portugal.
"Todos os esforços foram feitos para produzir uma resposta unânime", declarou o embaixador francês na ONU em alusão ao empenho para se alcançar um compromisso.
"Numerosas concessões" foram feitas à Rússia, à China e aos países que se abstiveram, acrescentou Araud.
Ele destacou que o veto demonstrou um "desprezo pelos interesses legítimos pelos quais se tem lutado na Síria", desde que os protestos contra Assad começaram, em meados de março.
COM AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
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