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04/10/2011 - 22h50

Chefe do BC americano diz entender protestos em Wall Street

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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Ben Bernanke, o presidente do Banco Central americano (Federal Reserve) e o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, declararam nesta terça-feira que entendem os protestos de jovens americanos que se manifestam em diferentes pontos do país, mas sobretudo em Wall Street, contra a atual situação econômica e o que acreditam ser as origens da crise.

"De uma maneira geral, as pessoas estão muito descontentes com o estado da economia e com o que ocorre", disse Bernanke sobre o protesto iniciado em meados de setembro nos arredores de Wall Street, em Nova York.

Jim Watson/France Presse
Em audiência no Congresso, chefe do Fed disse que reconhece descontentamento com crise econômica nos EUA
Em audiência no Congresso, chefe do Fed disse que reconhece descontentamento com situação econômica

"Eles reprovam, e não sem razão, o setor financeiro pela situação que nos encontramos e estão descontentes com a resposta" das autoridades, destacou Bernanke durante uma audiência na Comissão de Economia do Congresso em Washington.

"Até certo ponto, não posso reprová-los. É fato que o desemprego está em 9,1% e o crescimento econômico segue muito fraco. A situação não é muito boa e protestam contra isto".

Já o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, criticou, em entrevista à CNN, a recente decisão de vários grandes bancos de cobrar novas tarifas a seus clientes, justificando a medida pelo endurecimento da regulamentação adotado na lei de reforma de Wall Street promulgada em 2010.

Frederic J. Brown/France Presse
No centro de Los Angeles, cartaz diz: "bancos, afastem-se da política e dos empréstimos estudantis"
No centro de Los Angeles, cartaz diz: "bancos, afastem-se da política e dos empréstimos estudantis"

"Os bancos acusam as reformas e o governo para justificar tudo, incluindo muitos problemas nos quais têm uma responsabilidade central, e a maior parte da população está irritada com isto. Eles querem mudanças".

"Não há nada de surpreendente ou de incrível na resistência dos bancos" às reformas, mas "vamos repelir" isto e "no final vamos prevalecer".

PROTESTOS SE ESPALHAM

Os protestos contra o corporativismo de Wall Street entraram em sua terceira semana sem perder força, e se estenderam a outras cidades dos Estados Unidos, como parte de um movimento similar ao dos "indignados" na Espanha e em outros países da Europa.

As manifestações contra o sistema financeiro, a "ganância" e os cortes no orçamento federal americano se espalharam por Boston, Chicago, Los Angeles e Washington.

Seth Wenig/Associated Press
Manifestantes acordam no distrito financeiro de NY; dezenas continuam acampados em Wall Street
Manifestantes acordam no distrito financeiro de Nova York; dezenas continuam acampados em Wall Street

Em Boston, cerca de 3.000 pessoas participaram de uma passeata no sábado (1º) para protestar contra a "avareza das corporações" e para que os bancos interrompam as execuções hipotecárias, em uma mobilização que terminou com 24 detidos.

Já em Los Angeles, apenas 50 pessoas protestavam nesta segunda-feira em apoio à "ocupação" de Wall Street, que começou no dia 17 de setembro e que parecia definhar até receber um impulso publicitário inesperado no fim de semana.

Notícia na imprensa nacional e internacional, os manifestantes tentam aproveitar o destaque e crescer como os "indignados" na Espanha.

Lançado em meados de maio em Madri, o movimento civil do qual participam espanhóis de todas as regiões e níveis sociais e profissionais é uma manifestação que mostra a insatisfação das pessoas comuns com seus líderes políticos e do establishment financeiro.

Sua ação talvez mais visível tenha sido impedir o despejo de pessoas incapazes de pagar sua hipoteca, um dos efeitos reais dos problemas econômicos na Espanha.

Mike Segar /Reuters
Manifestante se veste de "zumbi corporativo" em protesto em Wall Street
Manifestante se veste de "zumbi corporativo" em protesto em Wall Street

No caso da convocação para "ocupar Wall Street", começou com uma convocação do movimento anarquista Adbusters e de outros grupos de esquerda através da internet, e também atraiu ecologistas, ONGs de defesa dos Direitos Humanos, assim como presenças individuais de veteranos de guerra, professores universitários, estudantes.

OBJETIVOS

As razões para se manifestar também são muito diferentes: a rejeição à manutenção das práticas corporativistas em Wall Street, apesar da crise de 2008, os cortes no orçamento federal americano em áreas como a educação, a brutalidade policial, o aquecimento global, etc.

"Cada um tem uma razão e um objetivo diferente para estar aqui", afirma neste sentido Anthony, de 28 anos e participante ativo do protesto em Nova York.

John Minchillo/Associated Press
Manifestantes saem às ruas de Nova York em protestos contra a crise financeira
Manifestantes saem às ruas de Nova York em protestos contra a crise financeira

"A única coisa que temos em comum é que somos 99% das pessoas que já não tolerarão a cobiça e a corrupção do 1% (da população)", admite ao site "Occupy Wall Street", que divulga as atividades diárias dos manifestantes.

Se, por enquanto, o movimento "tem uma mensagem positiva" para "fazer com que nossas vozes sejam ouvidas", como afirma outro manifestante, Robert Cammiso, 49, as coisas podem tomar outra direção rapidamente.

"Se alguém tentar se colocar no meio para restringir nossos direitos, bom, então passaremos a resistir, uma resistência pacífica", adverte o ex-trabalhador da construção.

 

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