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União Europeia se une em apoio a bancos
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PETER SPIEGEL e ALEX BARKER
DO "FINANCIAL TIMES", EM LUXEMBURGO
Ministros das Finanças da União Europeia estão estudando maneiras de coordenar operações de recapitalização de instituições financeiras, tendo concordado que são necessárias medidas adicionais e urgentes para apoiar os bancos da região.
Os detalhes do plano ainda estão sendo discutidos, mas autoridades disseram que os ministros da UE reunidos em Luxemburgo concluíram que não fizeram o suficiente para convencer os mercados financeiros de que os bancos da Europa são capazes de resistir à crise de dívida atual.
"Existe uma visão cada vez mais compartilhada de que precisamos de uma abordagem coordenada na Europa, enquanto muitos dos elementos são feitos nos países membros", disse ao "Financial Time" o comissário europeu de assuntos econômicos, Olli Rehn. "Há um clima de emergência entre os ministros, e precisamos avançar."
"É preciso reforçar as posições de capital dos bancos europeus, para proporcionar margens de segurança adicionais e, com isso, reduzir a incerteza", disse Rehn. "Isto deve ser visto como parte integral da estratégia abrangente da UE para restaurar a confiança e superar a crise."
Em um sinal de que os governos europeus se preparam para agir, Wolfang Schauble, o ministro alemão das Finanças, disse que Berlim pode, se necessário, reativar os mecanismos de apoio que instaurou em 2008 para recapitalizar os bancos. A vigência dos mecanismos tinha terminado, e até agora o governo alemão vinha argumentando que eles não seriam necessários.
"Todo o mundo disse que o grande medo é que os fatos preocupantes no mercado financeiro ganhem força e virem uma crise dos bancos", disse Schauble na entrevista coletiva à imprensa. Ele explicou que todos os membros da zona do euro vão apresentar planos para o reforço de seus bancos na próxima reunião dos ministros financeiros, no final deste mês.
Alguns dos maiores bancos da França, Alemanha e Bélgica possuem dezenas de bilhões de euros em títulos soberanos de países periféricos da zona do euro que estão passando por problemas. O valor dos títulos desses países caiu muito, em meio aos temores de que a Grécia estaria prestes a deixar de saldar suas dívidas. George Osborne, o ministro das Finanças britânico, disse: "Está claro agora que o sistema bancário europeu precisa ser reforçado e necessita mais capital".
Os mercados foram agitados esta semana pelos problemas da instituição credora franco-belga Dexia, que detém €3,5 bilhões em títulos soberanos gregos e €15 bilhões em títulos italianos e que vem tendo dificuldade em levantar dinheiro vivo suficiente no curto prazo.
Os governos francês e belga disseram que vão tomar "todas as medidas necessárias" para escorar a Dexia.
As participações acionárias americanas caíram fortemente em dado momento da terça-feira --uma queda de 20% em relação ao pico de abril--, mas o índice S&P 500 se recuperou. O índice britânico FTSE teve queda de 2,6%, encerrando o pregão em 4.933.
Os temores recentes de um calote da Grécia motivaram uma queda aguda nas ações de bancos e a entrada de uma enxurrada de dinheiro nos títulos de Tesouro americanos e alemães.
Algumas autoridades europeias esperavam evitar um esforço em grande escala para escorar os bancos europeus enquanto o fundo de resgate de €440 bilhões do bloco europeu não receba formalmente o poder de recapitalizar instituições financeiras em países não cobertos por programas de resgate.
Mas o processo de dotar o fundo de novos poderes vem sendo mais lento do que se previa. Como a UE corria o risco de ser ultrapassada pelos acontecimentos, Rehn disse que os ministros financeiros reunidos em Luxemburgo concordaram quanto à necessidade de agir através de suas capitais nacionais, ao mesmo tempo em que coordenam sua abordagem.
Tradução de Clara Allain
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