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05/10/2011 - 20h53

Crise manchou reputação dos EUA, diz secretário do Tesouro

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DA FRANCE PRESSE, EM WASHINGTON

O secretário americano do Tesouro, Timothy Geithner, disse nesta quarta-feira que os Estados Unidos precisam reconhecer sua responsabilidade no desencadeamento da última crise econômica, que causou "grande dano" à reputação do país.

"Todo americano comprometido com a vida pública deve reconhecer que causamos um enorme dano a nossa reputação mundial ao permitir que o sistema financeiro chegasse ao ponto em que chegou e provocasse uma crise tão destrutiva para nós e para o mundo", disse Geithner durante coletiva em Washington.

Stan Honda/France Presse
"Wall Street joga e os 99% pagam", diz cartaz dos manifestantes que protestam contra crise nos Estados Unidos
"Wall Street joga e os 99% pagam", diz cartaz dos manifestantes que protestam contra crise nos Estados Unidos

O secretário do Tesouro respondeu assim à pergunta sobre se os Estados Unidos haviam perdido sua capacidade para influenciar os europeus devido ao fato de serem a origem da atual crise.

Geithner participou em setembro da reunião com os ministros das Finanças da União Europeia (UE) na Polônia, durante a qual compartilhou conselhos.

Nesta quarta-feira, em Washington, Geithner reafirmou que os dirigentes europeus também precisam "reconhecer" que reagiram tarde para enfrentar a crise da dívida pública que afeta vários países da zona do euro.

"A Europa é muito importante para nós e não queremos vê-la enfraquecida por uma crise prolongada", disse o secretário do Tesouro, destacando que a UE tem os meios financeiros e a disposição para enfrentar a crise.

Frederic J. Brown/France Presse
No centro de Los Angeles, cartaz diz: "bancos, afastem-se da política e dos empréstimos estudantis"
No centro de Los Angeles, cartaz diz: "bancos, afastem-se da política e dos empréstimos estudantis"

Ontem (4), em entrevista à CNN, Geithner criticou a recente decisão de vários grandes bancos de cobrar novas tarifas a seus clientes, justificando a medida pelo endurecimento da regulamentação adotado na lei de reforma de Wall Street promulgada em 2010.

"Os bancos acusam as reformas e o governo para justificar tudo, incluindo muitos problemas nos quais têm uma responsabilidade central, e a maior parte da população está irritada com isto. Eles querem mudanças".

"Não há nada de surpreendente ou de incrível na resistência dos bancos" às reformas, mas "vamos repelir" isto e "no final vamos prevalecer".

BERNANKE E PROTESTOS

Também na terça-feira, Ben Bernanke, o presidente do Banco Central americano (Federal Reserve) disse entender os protestos de jovens americanos que se manifestam em diferentes pontos do país, mas sobretudo em Wall Street, contra a atual situação econômica e o que acreditam ser as origens da crise.

"De uma maneira geral, as pessoas estão muito descontentes com o estado da economia e com o que ocorre", disse Bernanke sobre o protesto iniciado em meados de setembro nos arredores de Wall Street, em Nova York.

Jim Watson/France Presse
Em audiência no Congresso, chefe do Fed disse que reconhece descontentamento com crise econômica nos EUA
Em audiência no Congresso, chefe do Fed disse que reconhece descontentamento com situação econômica

"Eles reprovam, e não sem razão, o setor financeiro pela situação que nos encontramos e estão descontentes com a resposta" das autoridades, destacou Bernanke durante uma audiência na Comissão de Economia do Congresso em Washington.

"Até certo ponto, não posso reprová-los. É fato que o desemprego está em 9,1% e o crescimento econômico segue muito fraco. A situação não é muito boa e protestam contra isto".

 

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