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06/10/2011 - 12h27

Para Hillary, Unesco deveria repensar adesão da Palestina

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DE SÃO PAULO
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, recomendou à Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) que reconsidere o voto de seu conselho executivo em favor do reconhecimento da Palestina como membro pleno do órgão.

O conselho executivo da Unesco respaldou na quarta-feira, por maioria, a adesão plena e total da ANP (Autoridade Nacional Palestina) ao órgão. A proposta dos países árabes contempla que os palestinos passem do status de observadores ao de Estado membro com plenos direitos no âmbito da Unesco.

"Eu incitaria o conselho executivo da Unesco a repensar antes de prosseguir com esse voto, porque a decisão sobre o status [da Palestina] precisa ser tomada nas Nações Unidas e não em um de seus grupos auxiliares", disse Hillay em uma coletiva de imprensa na República Dominicana, onde esteve para uma visita oficial.

A secretária de Estado dos EUA considerou a atitude da Unesco "enigmática e inexplicável" e reafirmou a posição dos Estados Unidos em favor de um retorno à mesa de negociações.

Hillary alertou que, se o voto do conselho executivo for confirmado, os Estados Unidos poderão suspender a contribuição que repassa à Unesco. Os repasses norte-americanos representam 22% do orçamento da organização.

O ministro israelense das Relações Exteriores disse na quarta-feira que o pedido palestino para se tornar membro pleno da Unesco é uma "rejeição das negociações, bem como do plano do Quarteto para o Oriente Médio para continuar com o processo político [de negociação]".

"Essa atitude nega os esforços da comunidade internacional para avançar no processo político. Uma decisão como essa não vai avançar nas aspirações palestinas por se tornar um Estado", disse o ministro.

"O que estamos tentando explicar é como e por que a Unesco aceitaria um membro observador como Estado pleno, se ele não existe como Estado?", disse o embaixador israelense na Unesco, Nimrod Barkan. "É muito estranho para a Unesco admitir um Estado que não existe. A discussão sobre o Estado palestino está ocorrendo em Nova York [na ONU]. Não deveria ser aqui".

ESTADO PLENO

A adesão da Palestina à Unesco como Estado pleno foi apoiada por 40 dos 58 membros do conselho executivo do órgão, incluindo vários países da América Latina.

Quatro países rejeitaram a recomendação, incluindo os EUA, e 14 optaram pela abstenção, entre eles França e Espanha. A votação por maioria simples aconteceu na sede da Unesco em Paris.

Para que a Palestina obtenha o status de Estado membro da Unesco, a recomendação aprovada na quarta-feira deve ser apoiada por dois terços dos 193 países que se reunirão na Conferência Geral da Unesco de 25 de outubro a 10 de novembro.

Os palestinos também apresentaram, no dia 23 de setembro, um pedido às Nações Unidas para ser reconhecida como Estado pleno. O requerimento está atualmente em análise pelo Conselho de Segurança da ONU.

 

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