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Merkel e Lagarde ressaltam vontade de estabilizar zona do euro
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DA EFE, EM BERLIM
A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, e a chanceler alemã, Angela Merkel, ressaltaram nesta quinta-feira que empregarão todos os meios políticos e financeiros necessários para estabilizar os países e bancos da zona do euro com problemas.
Suas declarações foram feitas em entrevista coletiva na Chancelaria berlinense, após um encontro preparatório para a próxima reunião do G20 --grupo que reúne os países mais ricos e os principais emergentes--, de forte caráter financeiro, do qual também participaram os dirigentes da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e do Banco Mundial (BM).
Merkel garantiu que, se a Autoridade Bancária Europeia (EBA) voltar a analisar a situação das instituições financeiras da Europa e considerar necessária uma recapitalização, a Alemanha levará "muito a sério" essa recomendação.
"Certamente, será um dinheiro investido de uma maneira sensata", ressaltou a chefe do governo alemão, após negar que uma decisão neste sentido fosse de caráter político.
Em linha com o que já apontou ontem em Bruxelas após se reunir com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, a chanceler acrescentou que, para empreender um programa neste sentido, é imprescindível chegar a um "consenso" europeu.
| Tim Brakemeier/Efe | ||
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| A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde (esq.), e a chanceler alemã, Angela Merkel, em entrevista coletiva |
Além disso, Merkel indicou que o reforço no novo fundo de resgate europeu (FEEF), se for ratificado por todos os Parlamentos da União Europeia, é o mecanismo adequado para ajudar os bancos cujas dificuldades impliquem um "risco sistêmico" para a zona do euro.
Caso contrário, disse Merkel, o país ao qual pertença essa entidade deverá se responsabilizar pelo respaldo financeiro pertinente.
No entanto, a chanceler destacou que "o melhor" seria que os bancos fossem capazes de obter os fundos que precisam por "seus próprios meios", isto é, no mercado.
Por sua parte, Lagarde afirmou que o FMI "está envolvido ativamente" na crise da zona do euro, tanto em seu trabalho ordinário de supervisão como de maneira específica nos resgates de Grécia, Irlanda e Portugal, e que assim continuará enquanto for preciso, sem estabelecer datas.
"Nós temos os recursos necessários", disse a diretora-gerente do FMI ao ser perguntada sobre a capacidade financeira da instituição diante de um eventual resgate da Itália, a terceira maior economia da eurozona depois de Alemanha e França.
REGULAÇÃO
Além da delicada situação que atravessa a eurozona, Largarde, Merkel, o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, e o secretário-geral da OCDE, Ángel Gurría, abordaram a necessidade de controlar os fluxos internacionais de capital dentro da reforma do sistema financeiro internacional na qual o G20 está trabalhando.
"Até o momento, não há um mecanismo de correção automática", informou Merkel, defendendo com Lagarde uma série de controles, sem especificá-los, que melhorem a estabilidade e evitem novas distorções econômicas e financeiras, sem cair no protecionismo.
A diretora do FMI reconheceu que a comunidade internacional deve continuar trabalhando para "coordenar e entender adequadamente" os fluxos de capital.
A este respeito, Gurría destacou que na atualidade estão se produzindo "enormes fluxos de capital" das economias desenvolvidas para países emergentes, o que provoca "muitas distorções", e que o G20 deve analisar "como enfrentar este desafio".
Lagarde frisou que o G20 estudará como reforçar o papel do FMI como supervisor financeiro global e o estabelecimento de uma rede de segurança financeira, dois instrumentos para garantir a "segurança e a estabilidade do sistema".
A chanceler alemã, que advoga por uma taxa sobre as transações financeiras, mostrou sua esperança que a reunião do G20, que será realizada nos dias 3 e 4 de novembro em Cannes (França), alcançará um acordo pactuado que favorecerá uma "melhor coordenação e regulação" global.
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