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Eleições na Polônia
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DO "FINANCIAL TIMES"
Algumas semanas atrás parecia certo que Donald Tusk, líder da Plataforma Cívica, de centro-direita, se tornaria o primeiro primeiro-ministro polonês a ser reeleito desde o retorno à democracia no país. No entanto, na iminência da eleição geral do domingo, a vantagem de seu partido sobre o partido nacionalista da Lei e Justiça, liderado pelo ex-premiê Jaroslaw Kaczynski, encolheu fortemente. Algumas sondagens avaliam a dianteira de Tusk em apenas 1%.
Mesmo levando em conta a natureza volúvel das sondagens de opinião, isso pode parecer uma recompensa muito pequena para o governo de Tusk, cuja atuação vem sendo impressionante em várias frentes. Desde que assumiu no lugar de Kaczynski, em 2007, Tusk vem pacientemente reconstruindo os dois relacionamentos bilaterais mais importantes para o país--com a Rússia e a Alemanha--, que tinham sido prejudicados durante o governo abrasivo de seu predecessor. Sob circunstâncias difíceis, a Polônia também vem fazendo um bom trabalho na presidência rotatória da União Europeia.
Na frente econômica o país vem tendo resultados dignos de crédito. Foi o único país europeu que a crise financeira não arrastou para uma recessão. Com déficit de 5,5% e dívida pública de 55% do produto nacional, as finanças públicas parecem estar em condição razoável, pelo menos em comparação com as dos pares europeus da Polônia.
Mas Donald Tusk não fez bom proveito desse histórico todo em sua campanha. Já Kaczynski, pelo contrário, vem fazendo uma campanha eficiente, adotando um ar mais brando e de estadista, que não condiz com seu histórico passado. É uma mudança bem-vinda. O que preocupa, porém, é que ela não passa de uma mudança de fachada, incentivada pela promoção de candidatas mulheres e atraentes. O período de Kaczynski como primeiro-ministro foi marcado por vendetas políticas e investigações que provocaram divisões, além de relações tensas com a UE.
Os desafios para o próximo governo --levar adiante o arrocho fiscal atual e, ao mesmo tempo, navegar a turbulência resultante da crise na zona do euro-- vão fazer com que a estabilidade seja ainda mais importante. Os vencedores da eleição do domingo também precisarão cuidar de algumas das reformas estruturais politicamente delicadas que o governo de Tusk evitou tratar até agora, como a elevação da idade de aposentadoria e a reforma do caro programa de aposentadoria de agricultores.
Seja como for que o país votar em 9 de outubro, é um sinal da maturidade política da Polônia o fato de que, pela primeira vez desde a queda do comunismo, o país pode contemplar a possibilidade de eleger um governo para um segundo mandato. A Polônia merece um governo que tenha experiência.
Tradução de Clara Allain
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