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EUA e UE sobem tom de ameaça contra Irã após complô descoberto
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DE SÃO PAULO
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
O governo dos Estados Unidos está pronto para assumir uma posição ainda mais dura contra o Irã em resposta a suposto ataque de Teerã para assassinar o embaixador saudita em Washington, segundo relatos da emissora americana de TV CNN desta quarta-feira.
Um cidadão americano naturalizado, que possui passaportes dos EUA e do Irã, está detido e um segundo homem, membro da Guarda Revolucionária iraniana, também é acusado de envolvimento nos planos contra o representante saudita.
O procurador-geral dos Estados Unidos, Eric Holder, acusou na terça-feira dois iranianos de terem tentado assassinar o embaixador saudita nos Estados Unidos, em um "complô concebido, financiado e dirigido a partir do Irã".
O republicano Peter King, também presidente do Comitê de Segurança Interna, afirmou à CNN que, se confirmados os planos, o ato poderia ser considerado um "ato de guerra".
| Paul J. Richards/France Presse - 18.jun.2004 | ||
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| Imagem de arquivo mostra o embaixador saudita Adel al Jubeir, suposto alvo do complô terrorista desbaratado |
Mohammad Khazaee, representante permanente do Irã na ONU, afirmou ontem que estava "chocado em ouvir uma mentira tão grande" e considerou um "insulto ao senso comum" a sucessão de eventos anunciada pelas autoridades americanas.
"O Irã sempre condenou o terrorismo, sob todas as formas e manifestações", e é uma vítima. "Um claro exemplo disto é o recente assassinato de vários cientistas nucleares (iranianos) por parte do regime sionista, apoiado pelos Estados Unidos", escreveu em carta enviada ao secretário-geral, Ban Ki-moon.
Ele condenou "categoricamente e nos termos mais enérgicos esta vergonhosa acusação dos Estados Unidos", deplorando "uma bem pensada conspiração maligna alinhada à política americana anti-iraniana".
Um conselheiro do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, rejeitou a acusação de envolvimento do Irã em um plano para assassinar o embaixador saudita em Washington.
"É um cenário planejado para desviar a atenção da opinião pública americana dos problemas internos dos Estados Unidos", afirmou Ali Akbar Javanfekr, conselheiro de imprensa de Ahmadinejad.
REAÇÃO DOS EUA
A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse ontem que os EUA se preparavam para adotar novas sanções contra o Irã após a descoberta do plano terrorista de Teerã. Segundo ela, o plano que foi desbaratado deve "isolar ainda mais" o Irã da comunidade internacional.
| Erika Santelices/France Presse | ||
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| A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pediu mais isolamento do Irã após complô |
A Casa Branca elogiou a ação que frustrou o plano de ataques contra as embaixadas da Arábia Saudita e Israel em Washington, e disse que o presidente americano, Barack Obama, ordenou há alguns meses "cooperação total" com as investigações.
Os EUA pediram também que outros países se unissem ao redor do mundo para impor sanções contra o governo iraniano, de acordo com a CNN. Segundo fontes oficiais, as nações devem reforçar as restrições impostas ao Irã e falar publicamente quando tiverem problemas com o país.
UNIÃO EUROPEIA
Em resposta, a União Europeia advertiu nesta quarta-feira o Irã sobre "graves consequências", caso seja confirmado o plano de Teerã de assassinar o embaixador saudita em Washington, em um complô.
"Se forem confirmados esses fatos, isso constituirá uma grave violação das leis internacionais, o que implicaria graves consequências", ressaltou Maja Kocijancic, porta-voz da chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, em uma entrevista coletiva à imprensa.
O PLANO
Documentos judiciais registrados em uma corte federal de Nova York apontam que dois homens --identificados como Manssor Arbabsiar e Gholam Shakuri-- foram indiciados por planejar uma ação terrorista e por conspirar para utilizar armas de destruição em massa.
Holder disse ainda que mais ações serão tomadas "em breve" para que o Irã seja responsabilizado pelo plano de ataques.
Arbabsiar -- que seria naturalizado americano e teria dupla cidadania-- foi preso no final de setembro no aeroporto internacional John F. Kennedy, em Nova York. Shakuri -- identificado como membro da unidade Quds, forças especiais da Guarda Revolucionária Iraniana-- continua a ser procurado pelas autoridades americanas.
Segundo os documentos oficiais, Shakuri manteve uma conversa telefônica com Arbabsiar na qual aprovava o plano para matar Al Jubeir.
Em julho e agosto desse ano, ele teria entrado em contato com um agente inflitrado da agência antidrogas americana (DEA) que estava no México e pagado US$ 100 mil a ele para que matasse o embaixador.
Holder disse ainda, durante a coletiva, que o informante se fez passar por membro de um cartel de narcotraficantes mexicano, dizendo que poderia perpetrar o atentado por um preço de US$ 1,5 milhão.
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