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Embaixador de Israel no Brasil teme que palestinos soltos cometam terror
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ELIANE CANTANHÊDE
COLUNISTA DA FOLHA
O embaixador de Israel em Brasília, Rafael Eldad, diz temer que parte dos 1.027 palestinos libertados em troca do soldado israelense Gilad Shalit volte a praticar "atos de terrorismo".
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"São terroristas convictos. Se 50, 100, 200 voltarem a praticar atos de terrorismo, como Israel vai enfrentar as novas vítimas deles? O que vai dizer às famílias?", questionou o embaixador.
Eldad também lembrou a onda de atentados terroristas suicidas e comparou: "O que vale mais, o desgosto de muitos palestinos [presos] ou a vida de muitos israelenses?"
Apesar disso, o embaixador defendeu a decisão de seu governo de trocar 1.027 por um como "sinal da importância que Israel dá à vida".
Reproduziu, então, um ditado judaico: "Se você salva uma vida é como salvar o mundo inteiro. Cada pessoa é como se fosse o mundo".
Ele destacou que houve séria discordância dos familiares dos israelenses mortos ou mutilados pelos que estão sendo soltos: "Quem perdeu mãe, pai, filho, mulher é claro que protestou".
Ainda para Eldad, esse tipo de questão --ceder ou não para ter Shalit de volta-- é um bom exemplo do "dilema que Israel tem de enfrentar todos os dias para garantir a sua sobrevivência".
Ao falar do debate na ONU (Organização das Nações Unidas) sobre a criação do Estado Palestino, que o Brasil, inclusive, defende, o embaixador disse que "Israel está a favor, mas não de uma maneira prematura e unilateral, mas sim como consequência de um acordo de paz, fruto de negociação e diálogo entre israelenses e palestinos".
Ele também justificou os temores de Israel diante do Irã, de quem o Brasil se aproximou durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva: "O Irã diz que quer varrer Israel do mapa e ao mesmo tempo quer fazer a bomba atômica. O que nós, como israelenses, podemos pensar?"
Diante da ponderação de que o governo iraniano nega a intenção de desenvolver a bomba, ironiza: "Ah, bom! Se você perguntar a um bandido se ele quer te matar, você acha que ele vai dizer sim? Até a ONU desconfia das intenções do Irã."
Segundo Rafael Eldad, Israel não pode cometer erros grandes, "porque eles podem ser fatais": "A guerra no Iraque é horrível, mas ninguém põe em dúvida a existência do Iraque. Já Israel, se perde a batalha ou a guerra, deixa de existir".
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