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União Europeia chega a acordo para recapitalização de bancos
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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Atualizado às 16h53.
Na primeira informação a ser divulgada em meio à aguardada reunião de cúpula dos líderes da União Europeia (UE) nesta quarta-feira, um comunicado conjunto indicou que o bloco chegou a um acordo para a recapitalização dos bancos atingidos pela crise e que parte do plano inclui elevar as exigências de capital de máxima qualidade ("core capital") dos bancos em até 9% antes de julho de 2012.
Os primeiros dados do comunicado chegaram ao mesmo tempo em que fontes do governo italiano confirmaram que o premiê Silvio Berlusconi reuniu-se com os presidentes da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, antes do início da cúpula de líderes em Bruxelas.
"Chegamos a um acordo sobre um plano para recapitalizar os bancos europeus", o primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, país que atualmente detém a Presidência rotativa do bloco.
| Yves Herman/Reuters | ||
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| O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi (dir.) e o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso |
Tusk disse ainda que não pode dar uma cifra sobre o capital total que será preciso injetar nos bancos europeus já que isso dependerá do perdão da dívida grega que eles estão dispostos a aceitar.
Mais detalhes sobre os planos de recapitalização, do aumento do fundo de resgate europeu e sobre os planos de recuperação da Grécia e da Itália ainda não foram divulgados.
RISCO DE QUEBRA
Após uma reunião de uma hora e meia, os líderes dos 27 países-membros bloco europeu emitiram um comunicado no qual pedem para que esta medida não provoque um novo estrangulamento do crédito.
Segundo o acordo, os bancos têm um prazo de oito meses para elevar seu capital de máxima qualidade para 9%. Durante este período, a divisão de lucros através de bônus para os principais dirigentes dos bancos e acionistas será limitada.
Em termos mais simples, as novas exigências significam que os bancos europeus terão que manter "em caixa" ao menos 9% do que emprestarem --medida que tenta reduzir os riscos de quebra num período de alta instabilidade.
Os bancos deverão ainda avaliar sua bolsa de dívida soberana a preços de mercado, não de emissão, poderão captar ativos nos mercados com garantias da UE e, portanto, a melhores preços, e poderão contabilizar suas emissões de bônus conversíveis como capital de máxima qualidade.
ITÁLIA
A reunião em paralelo de Berlusconi com José Manuel Durão Barroso e Herman Van Rompuy indica o nível de atenção que o bloco dispensa agora à situação da economia italiana.
Segundo o jornal britânico "The Guardian", as dificuldades de Roma em lidar com sua enorme dívida pública passaram a preocupar os líderes do bloco com mais intensidade nas últimas semanas.
| Editoria de arte/Folhapress | ||
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"A Grécia já aconteceu. A Itália e seu enorme deficit de € 1,9 trilhão ainda pairam sobre o horizonte. Se a dívida grega for reestruturada, a Itália, o próximo país com a maior dívida na zona do euro, será o próximo. E o homem à frente do país é alguém com quem a maior parte das pessoas não deixaria suas filhas, quanto menos sua economia", ironiza o jornal.
No encontro, que durou cerca de 15 minutos, Berlusconi apresentou a Barroso e a Van Rompuy os compromissos que seu governo pretende assumir para afastar os temores de que a crise se aprofunde e fixa um calendário para implementar essas medidas.
Esses compromissos haviam sido citados em uma carta enviada mais cedo às autoridades do bloco, com indicações de "como a Itália pretende respeitar os compromissos europeus".
Uma das reformas-chave presentes no texto é a prorrogação da idade de aposentadoria, de 65 para 67 anos, após exigências de Bruxelas para mudanças no sistema previdenciário italiano.
A medida era fortemente rejeitada pelo partido de direita Liga Norte, da base do governo. Na noite de terça-feira, entretanto, membros do partido governista PDL (Povo da Liberdade) e da Liga Norte, entraram em um consenso sobre a reforma da previdência que permite um aumento gradual da idade mínima obrigatória para se aposentar.
Entre as reformas, também se prevê a equiparação da idade mínima de mulheres do setor privado às do setor público. Além disso, a carta de 15 páginas ainda projeta a realização de obras de infraestrutura, um plano de liberalização da economia e um plano de combate à evasão fiscal.
O sub-secretário da Presidência do governo italiano, Gianni Letta, declarou que a a carta enviada às autoridades europeias precisou de alguns retorques de última hora antes de ser apresentada em Bruxelas.
Até o momento, não há mais detalhes nem do acordo entre a Liga Norte e o PDL, nem do conteúdo da carta de compromissos que Berlusconi apresenta em Bruxelas.
CRISE NA ITÁLIA
No domingo, a União Europeia pressionou a Itália por temer que o país, muito endividado e com crescimento anêmico, ponha em perigo a zona do euro, e pediu a Berlusconi para que colocasse apresentasse medidas concretas antes da reunião europeia desta quarta-feira.
Segunda-feira, Berlusconi convocou uma reunião emergencial do seu gabinete para tentar superar a oposição de aliados às reformas econômicas exigidas por sócios europeus do país. O governo italiano, entretanto, não conseguiu chegar a um acordo na reunião ministerial sobre a reforma da previdência durante a reunião.
Diante da falta de acordo, a União Europeia cobrou Berlusconi para apresentar a carta com os "compromissos específicos sobre as medidas para o crescimento" que o país pensa em adotar.
Líderes da União Europeia estão cada vez mais preocupados com a reação do governo italiano à crise financeira, que pode ameaçar toda a zona do euro caso Roma não consiga controlar suas finanças e recuperar a confiança dos mercados.
A Itália tem o maior mercado de bônus soberanos da zona do euro, com uma dívida pública de € 1,8 trilhão, ou 120% do PIB (Produto Interno Bruto). Há temor que a incapacidade em tornar sua dívida mais sustentável significa que o país siga da mesma forma como Grécia, Irlanda e Portugal, que tiveram de aceitar programas de ajuda financeira da UE e do FMI.
CÚPULA
Os líderes europeus se reúnem nesta quarta-feira em uma cúpula após dois adiamentos em clima de incerteza nos mercados globais, com o intuito de discutir a crise que enfrentam alguns países da região.
Os principais assuntos a serem debatidos são a liberação de novo resgate à Grécia, a recapitalização dos bancos europeus e o aumento de recursos do EFSF (Fundo Europeu de Estabilização Financeira) para ajudar futuramente a países em crise.
Durante o encontro, os europeus preveem estudar diferentes formas de resgatar a fragilizada economia grega, cuja dívida chega a € 350 bilhões de euros --162% de seu PIB.
Há também negociações com os bancos credores da dívida grega sobre uma colaboração voluntária para o resgate do país.
Governos e os bancos ainda estavam discutindo, horas antes da cúpula, sobre a escala da perda que os investidores privados terão de sofrer nos títulos gregos que possuem, de acordo com fontes familiarizadas com as negociações.
Na terça-feira, a chanceler alemã, Angela Merkel, disse rejeitar que os Estados imponham uma linha de atuação ao BCE, o que antecipava esse novo foco de tensão com seus sócios na véspera da cúpula. Nesta quarta, o Parlamento alemão aprovou uma moção que autorizou Merkel a defender a ampliação do fundo de resgate europeu em Bruxelas.
As incertezas sobre a reunião remetem às discordâncias entre países membros, como França e Alemanha, que divergem em especial sobre o papel que o BCE (Banco Central Europeu) deve ter em resgates a nações em necessidade.
| Editoria de Arte | ||
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