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03/11/2012 - 03h30

Editorial: Cultura na periferia

No que concerne à cultura, o programa do prefeito eleito Fernando Haddad (PT) poderia ser resumido --em geral e com uma dose de humor-- pela conhecida "boutade" segundo a qual o que é bom não é novo, e o que é novo não é bom.

Com efeito, entre as novidades figura a construção de dois "centros culturais de referência", um na zona leste e outro na zona sul da capital paulista. Esses prédios, decerto "sustentáveis", contariam com biblioteca, cinema, salas de exposição, teatro multiuso, livraria, oficinas de artesanato, ludoteca, espaços de convivência, cursos de artes e unidades digitais.

Ninguém de boa-fé seria contrário à descentralização da oferta cultural, para que atinja populações da periferia de São Paulo.

Ocorre que a construção de edifícios milionários esbarra não apenas no irrealismo orçamentário (a Secretaria Municipal de Cultura dispõe de R$ 440 milhões em 2012), mas na evidência de que instalações para promover a cidadania nos extremos do município são mais eficazes quando congregam lazer, esporte, cultura e educação.

Nesse sentido, o programa de Haddad é mais realista e promissor quando sugere o uso das estruturas dos CEUs e a melhoria de equipamentos e espaços já construídos, para transformá-los em "polos multifuncionais" --que poderiam ser replicados, a custos mais factíveis, em áreas desassistidas.

Antes de ceder à cultura da engenharia civil e das placas de obras, que tanto seduz governantes, o prefeito eleito ganharia se usasse um pouco mais a imaginação.

Sem prejuízo das políticas bem-sucedidas ora em curso, que não podem ser descontinuadas, o caminho a seguir parece estar na aproximação da área cultural com a escola, na difusão de programas digitais, no apoio às associações artísticas locais e na melhoria da programação e das condições da infraestrutura que já existe.

É indispensável também o entrosamento com o Estado e com os projetos do setor privado. Os centros de referência propostos pelo programa de Haddad, aliás, são unidades equivalentes às do Sesc, que já atua, como se sabe, em bairros periféricos da cidade.

Quanto aos recursos orçamentários, é legítimo que as secretarias procurem ampliá-los. É preciso, contudo, que prevaleça o princípio de realidade. As demandas são muitas, e os recursos, escassos.

Mesmo que a prefeitura obtenha êxito na renegociação de sua dívida com o governo federal, a destinação dos investimentos tem de seguir uma hierarquia.

Não faz sentido propor uma lei para dedicar uma fatia fixa do Orçamento à cultura. A ideia de "carimbar" recursos engessa o Executivo. É tão descabida quanto a proposta --esta mais pueril-- de "democratizar" o Theatro Municipal.

 

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