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07/02/2012 - 11h37

Violência na escola precisa ser bem discutida, afirma leitor

LEITOR GEDER PARZIANELLO
DE SÃO BORJA (RS)

A notícia de que a estudante norte-americana do Estado do Texas, Sarah Bustamantes, 12, foi retirada da sala e acusada de contravenção, recebendo a ordem de comparecer a um tribunal pode até ser quase rotina nos Estados Unidos.

No Brasil a questão suscita uma reflexão sobre a violência na escola, um problema que pode ser evitado se discutido seriamente e de forma aberta pela sociedade brasileira.

Tenho debatido o tema em palestras com educadores e antevejo, a partir do contexto mundial, um futuro preocupante demais para que não iniciemos mais de perto um estudo preventivo em nosso país. Minha preocupação é de professor, mas também de pai.

Como professor eu já representei contra um estudante, o que foi decisivo para que as ameaças parassem. Como professor, sou solidário a professores que conheço e que atuam em escolas públicas e particulares aqui no Rio Grande do Sul, com patologias graves, problemas emocionais e que vivem traumas cotidianos de ameaças e agressões em suas escolas.

Como pai, sou defensor de que devemos acompanhar as ações de nossos filhos, conhecê-los melhor, contribuir na sua formação e observar seus comportamentos desde cedo. Não tenho dúvidas de que existem muitos pais que fecham os olhos para fatos que não querem enxergar.

POLÍCIA NA ESCOLA

Guardas fardados portando armas de fogo patrulham espaços internos em centenas de escolas nos EUA há pelo menos uma década.

Embora esta não seja a cena que gostaríamos de ver associada à educação, ela pode ser o único caminho para o Brasil em pouco tempo, a menos que políticas de fato capazes de restabelecer a autoridade do professor e da escola consigam evitar aqui o cenário que existe nos EUA.

Segundo Chris McGreal do "Guardian", na reportagem "Nota vermelha no BO", publicada em "Ilustríssima" na Folha no dia 15 de janeiro, só no Texas foram mais de 300 mil notificações policiais em 2010 intimando crianças e adolescentes a comparecerem a um tribunal.

Até hoje tenho a impressão de que a passividade dos professores -- evitando o confronto com alunos problemáticos -- e o desprestígio social da profissão concorreu para formar este quadro sem controle, fragilizando o professor e o modelo da escola tradicional.

Tenho defendido o argumento de que os professores precisam mesmo enfrentar pelas mãos da Justiça e da segurança formal, as situações de violência que vivenciam em seus ambientes de trabalho, mas jamais silenciarem por medo ou dúvida, como vem acontecendo.

Por isso defendo que os professores denunciem os atos de violência e responsabilizem os pais das crianças e dos adolescentes, enfrentando posições contrárias seja de onde elas venham.

Paulo Peixoto 9.dez.2010/Folhapress
Ato em BH protesta contra assassinato dentro de escola de Kássio Gomes, em 2010, e pede comissão para apurar violência
Ato em BH protesta contra assassinato do professor Kássio Gomes dentro de escola em 2010

O exemplo dos EUA pode servir de janela para um futuro que nenhum de nós deseja e, principalmente, se não enfrentarmos esta situação que já dá sinais em nosso país, haja vista as notícias na imprensa que trazem mortes e agressão de professores por parte de alunos.

Um número crescente de professores está adoecendo, muitos deles hoje afastados para tratamento de saúde, outros suportando humilhações, perdendo eles próprios o controle de suas reações.

Não se trata evidentemente de criminalizar o comportamento de crianças e adolescentes, como vem sendo feitos nos EUA. Mas de admitirmos que a situação não pode continuar como está, colocando em risco a vida de pessoas, formando psicopatas e delinquentes.

Quase um terço das ocorrências nos EUA envolve drogas como o crack ou o álcool, revela problemas de dissociabilidade em casa ou distúrbios mentais sem a devida atenção da escola e da família.

Não estamos falando de problemas morais, de comportamentos de obediência ou de condutas repreensíveis e que poderiam ser contornadas com o diálogo escolar. Existem, é claro, exageros por parte de professores norte-americanos, que também parecem ter perdido a medida de quais as situações seriam efetivamente sem controle da figura do professor.

No entanto, somos todos responsáveis por esta violência: os pais quando não conhecem seus filhos, os professores quando silenciam diante de primeiros sinais e a escola e os sindicatos quando se omitem diante dos fatos. Se a responsabilidade não recair preventivamente sobre nós, vai recair tardiamente sobre nosso filhos e nossos alunos.

 
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