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Abstenção é alta, mas não reverte resultado
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DO ENVIADO A MARABÁ (PA)
DO ENVIADO A SANTARÉM (PA)
DE BELÉM
O histórico de alta abstenção da população paraense em eleições --uma das principais esperanças das frentes pró-separação--, foi insuficiente para aprovar a divisão do Estado.
No plebiscito de hoje, cerca de 25% dos eleitores deixaram de comparecer às urnas, mantendo a média histórica do Pará. Na disputa presidencial de 2010, o percentual de abstenção foi de 21% no primeiro turno e de 27% no segundo turno.
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A frente pró-divisão apostava no baixo comparecimento dos eleitores no entorno de Belém, majoritariamente contrários à divisão, para aprovar a separação.
Mas os resultados parciais, que apontavam vitória folgada da ala contra a emancipação, mostram que a abstenção pode não ter se concentrado na região da capital.
Com 90% das urnas apuradas, os resultados apontavam 1,5% de votos brancos e nulos nas duas disputas.
Antes mesmo da confirmação da vitória, líderes da frente antidivisão, que inclui o governador Simão Jatene (PSDB), adotaram o discurso de que o principal desafio agora será amenizar o ressentimento nas áreas separatistas.
Em redutos como Marabá e Santarém, a votação expôs nas ruas o clima de mágoa com o poder central. A Polícia Federal chegou a ser acionada para investigar denúncia de compra de votos em Belém, mas não flagrou irregularidades. Nenhuma grave ocorrência foi registrada.
DEFICITÁRIOS
Estudos mostram que a partilha do território daria origem a três Estados deficitários, apesar do poder econômico da região de Carajás alavancado pela exploração de ferro da Vale.
Com a manutenção do Estado, o Pará continua com problemas sociais e de infraestrutura, sobretudo no interior. Apesar do potencial econômico, municípios que fariam parte do Carajás sofrem com alto índice de violência e conflitos agrários --3 das 10 cidades com mais homicídios estão na região de Marabá.
Do outro lado, cidades que fariam parte do Tapajós têm problemas de isolamento geográfico e rodovias precárias.
Outro fator envolvido no desmembramento seria o impacto federativo. Se fosse aprovada a separação, seriam criadas duas novas Assembleias, ampliando o gasto público. Também seria necessária uma mudança na configuração do Congresso. No Senado, a região Norte ganharia mais seis cadeiras e, pelo menos, oito vagas na Câmara para cada novo Estado.
| Editoria de Arte/Folhapress | ||
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