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06/01/2012 - 09h36

Dirigente nega conflito na Habitação em São Paulo

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PAULO GAMA
DANIEL RONCAGLIA
DE SÃO PAULO

O presidente da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano de São Paulo), Antônio Carlos do Amaral Filho, negou ontem que haja um "braço de ferro" entre a estatal comandada por ele e a Secretaria da Habitação do Estado.

Responsável pela construção de casas para famílias de baixa renda, a CDHU luta para não perder importância em decorrência da mudança no modelo de habitação popular defendida pela gestão Geraldo Alckmin (PSDB).

Alckmin 'entregou' 442 casas que continuam vazias
Casas entregues há 7 dias por Alckmin já têm problemas

O programa Casa Paulista, instituído pelo governo em setembro, privilegia o subsídio às moradias em detrimento da construção de casas. O secretário da Habitação, Sílvio Torres, chegou a classificar a mudança de "avanço fundamental" em dezembro.

"Para haver braço de ferro precisa ir um em direção contrária à do outro, o que não acontece. Sou presidente de uma empresa estatal, tenho de seguir ordens do secretário", disse ontem Amaral, indicado ao cargo pelo deputado federal Paulo Maluf (PP).

Amaral, Torres e Alckmin participaram ontem da entrega de moradias populares em Itaquaquecetuba. No ato, voltaram a minimizar os problemas apontados pela Folha em conjuntos recém-entregues pelo governo.

Na terça, reportagem revelou que casas em Ribeirão Preto apresentavam problemas sete dias depois da mudança dos moradores.

Ontem, a Folha mostrou que conjuntos inaugurados por Alckmin em dezembro ainda não estão habitados. O governo diz que eles serão ocupados nos próximos dias.

OPOSIÇÃO

O deputado estadual Enio Tatto (PT) disse que pedirá a convocação de Torres e Amaral para dar explicações na Assembleia. O pedido deve ser feito em fevereiro, após o recesso do Legislativo.

O deputado disse que, em 2009, a base governista impediu que a CDHU fosse investigada na CPI da Habitação. "Conseguiram abafar a CPI. Não conseguimos convocar nenhum presidente ou ex-presidente da CDHU", disse o deputado.

A comissão durou 120 dias e ouviu apenas sete pessoas. Terminou sem propor nenhum indiciamento ao Ministério Público. Dos 12 deputados que participavam da CPI, 10 eram da base do governo de José Serra (PSDB).

Jorge Araújo/Folhapress
Geraldo Alckmin entrega chave de casa da CDHU a nova moradora de Itaquaquecetuba
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