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Marco Maia diz não ser 'obrigado a cumprir' ordens do governo
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MARIA CLARA CABRAL
DE BRASÍLIA
O presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), peitou mais uma vez a presidente Dilma Rousseff, nesta quinta-feira (9), ao dizer que não é "obrigado" a cumprir a determinação e nem se "submeter" todo momento ao governo.
Maia disse que seu trabalho é ouvir a opinião de líderes e do Palácio do Planalto ao fazer a pauta de votações da Câmara, mas a decisão final cabe apenas a ele. As declarações acontecerem por causa da má repercussão gerada ontem depois que o petista abandonou a sessão que votaria projeto de lei que cria o fundo de previdência complementar do servidor público.
Presidente da Câmara abandona sessão sobre fundo de previdência
Segundo aliados de Maia, a atitude aconteceu após ele ser contrariado em uma indicação para um cargo no Banco do Brasil. Deputados da própria base aliada dizem que ele teria, inclusive, desligado o telefone na cara da ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) após um conversa sobre o assunto.
Hoje, Maia negou e informou que nem conversou na noite de ontem com a ministra.
"Não há problema nenhum com o governo. Inclusive, não há da minha parte nenhuma indicação no governo, não tenho contato com ninguém do Banco do Brasil. E, se tivesse de indicar alguém, o faria ao PT", disse.
"Sobre a votação de ontem, eu vi que não tinha acordo, por isso resolvi sair e ir cumprir outros compromissos. De mais a mais, eu venho conduzindo a Câmara da forma mais democrática possível, ouvindo os líderes, a sociedade, o governo, mas não necessariamente me submetendo, embora escute a todos. Agora a decisão do que vai à pauta cabe ao presidente. O governo tem a sua opinião, mas não sou obrigado a todo momento a cumprir a sua determinação", completou.
A atitude de Maia foi considerada ruim pelo Planalto, que tem o projeto que cria o fundo de previdência complementar como prioritário. O acordo firmado no início da tarde de ontem era o de que o projeto seria pelo menos discutido e haveria a tentativa de votação do texto principal, deixando a análise dos destaques para a semana que vem. Com o adiamento é possível que a conclusão ocorra apenas depois do Carnaval.
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