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Sarney diz que ficou 'surpreso' com espionagem em seu governo
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GABRIELA GUERREIRO
DE BRASÍLIA
Ex-presidente da República, o senador José Sarney (PMDB-AP) disse ontem que ficou "surpreso" ao saber que a presidente Dilma Rousseff foi monitorada pelo SNI (Serviço Nacional de Informação) durante o seu governo, como revelou a Folha nesta semana.
Sarney negou ter autorizado a espionagem contra a hoje presidente, apontada na fase pós-ditadura pelo SNI como parte de um "infiltração comunista" no Rio Grande do Sul.
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Dilma foi monitorada pelo SNI durante governo Sarney
"Eu tive a mesma surpresa que todo mundo teve ao ler essa notícia. Eu tinha determinado que jamais o SNI fizesse investigação sobre qualquer pessoa", afirmou à Folha.
O monitoramento consta de documentos abertos ao público recentemente que integram o chamado "Acervo da Ditadura", do Arquivo Nacional. São mais de oito milhões de páginas produzidas por órgãos de inteligência durante a ditadura e o governo Sarney sobre cerca de 308 mil pessoas.
Além de ter sido monitorada na ditadura (1964-85), quando foi presa e torturada, o SNI acompanhou a vida da presidente durante o governo de Sarney (1985-90) --com a produção de 17 papéis sobre Dilma nesse período.
Pesquisa realizada pela Folha na base de dados do acervo mostra que há no total 181 documentos com referências à presidente. Eles começaram a ser produzidos em 1968, na época em que era estudante universitária, e terminaram no final da década de 80.
A deputada Érika Kokay (PT-DF) prometeu apresentar requerimento à Mesa Diretora da Câmara pedindo informações à Abin (Agência Brasileira de Inteligência) sobre o monitoramento da presidente.
"Esse é um dado importante para que a gente tenha exata noção que não houve o fim formal da ditadura."
Sobre o depoimento de Dilma tomado em 2001, em que ela narra detalhes das torturas sofridas na ditadura, Sarney disse que essa "mancha" não pode ser admitida em nenhum país. "A tortura é maior degradação do ser humano. Sobretudo, a tortura de Estado. Nossa condenação é total."
O depoimento foi divulgado esta semana, 11 anos depois de ter sido colhido pelo Conselho dos Direitos Humanos de Minas Gerais.
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