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Funai vai averiguar denúncia de conflito com garimpeiros em terra ianomâmi
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KÁTIA BRASIL
DE MANAUS
A Funai (Fundação Nacional do Índio) pretende fazer uma expedição na terra indígena ianomâmi, no norte do Amazonas, para investigar a denúncia de um conflito com morte entre índios e garimpeiros brasileiros na Venezuela.
Representantes das ONGs brasileiras Hutukara Associação Yanomami, sediada em Roraima, e ISA (Institituto Sociambiental), de São Paulo, alertaram a Funai sobre o caso em reunião nesta quarta-feira (29).
Segundo a Funai, o conflito teria acontecido na comunidade Irotatheri, localizada nas cabeceiras do rio Ocamo, no alto Orinoco, Venezuela. O lugar fica a quatro dias de caminhada da fronteira do Brasil.
O coordenador regional da Funai em Boa Vista (RR), João Catalano, disse que os funcionários deverão ir de avião de Boa Vista até a aldeia ianomâmi Balalaú, que fica no norte do Amazonas, onde farão contato com os índios, sem entrar em território venezuelano.
Catalano afirmou que a terra indígena ianomâmi, na Venezuela, está invadida por cerca de 7.000 garimpeiros, a maioria brasileiros.
Segundo Catalano, as ONGs brasileiras receberam um comunicado da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia, da Venezuela, informando que garimpeiros brasileiros cercaram a casa coletiva dos índios e dispararam contra eles. O número de mortes é incerto.
"É uma região de muito difícil acesso, que não tem controle policial por parte da Venezuela. Por isso, só numa expedição poderemos falar com os sobreviventes para confirmar as mortes", disse.
A terra indígena ianomâmi tem 9,4 milhões de hectares, em território brasileiro, na fronteira dos Estados de Roraima e Amazonas com a Venezuela.
Catalano esteve em junho no norte do Amazonas para averiguar a invasão de garimpeiros no Brasil, impulsionada pela alta do preço do ouro no mercado internacional. O Brasil tem combatido isso, segundo ele, por meio de operações da Polícia Federal e da atuação do Ministério Público Federal.
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