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11/09/2012 - 16h58

Marta nega que ministério seja compensação por ajuda a Haddad

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MÁRCIO FALCÃO
DE BRASÍLIA

Atualizado às 17h22.

Sem apontar suas prioridades para o Ministério da Cultura e prometendo "mergulhar" na pasta, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) negou nesta terça-feira (11) que a sua indicação seja uma compensação pela entrada na campanha do petista Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo.

A Folha antecipou na manhã de hoje a saída de Ana de Hollanda. Marta assume na quinta-feira em cerimônia no Planalto.

No início da tarde, a presidente Dilma Rousseff conversou com Ana de Hollanda e, em seguida, telefonou para Marta, que estava presidindo a sessão do Senado, para convidá-la.

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Alessandro Shinoda - 7.set.2012/Folhapress
Marta participa da campanha de Fernando Haddad
Marta participa da campanha de Fernando Haddad

Marta aceitou o convite e disse que vai estudar com "humildade" a Cultura.

A petista anunciou que ajudaria Haddad na semana passada, após um boicote de dez meses à campanha. Ela queria ser candidata, mas foi forçada a desistir por pressão do ex-presidente Lula. Em novembro, ela disse que Haddad foi invenção de Lula.

"Isso nunca foi falado [compensação pelo apoio]. Não tem nenhuma [ligação]", disse a senadora. "Desde o começou falei que ia trabalhar quando fizesse diferença. Entrei na campanha quando achei que faria diferença", disse.

A senadora afirmou que os comícios e caminhadas acertadas com Haddad serão mantidos. "Fica tudo igual."

Questionada se a presidente a teria sondado na quinta-feira passada, durante encontro no Palácio da Alvorada, a senadora desconversou. "Eu converso muito com a presidente e vocês não sabem de todas as conversas que temos."

Marta disse que o chamado para a Cultura foi "surpreendente" e que ela ainda não tem planos para a pasta porque precisa estudar profundamente o ministério. Ela afirmou que não poderia dizer não a um chamado da presidente porque é governo e está a disposição do Planalto.

A senadora reclamou de ter sido perguntada sobre as suas metas. "Como você me pergunta isso se eu estou sabendo agora?", questionou.

Ela evitou comentar pontos polêmicos da pasta como o orçamento, a reforma na lei de direitos autorais e a gestão do Ecad que ajudaram a fragilizar Ana de Hollanda.

"Não vou me pronunciar sobre nada, sem ter conhecimento. Vou ter que ter conhecimento profundo de todas as questões do ministério. Vou com muita humildade estudar, porque eu considero um ministério fantástico e temos muita coisa para fazer."

E completou: "o ministério é desafiador, vou mergulhar no ministério e fazer acontecer as boas coisas que estão implementadas".

Ela disse que vai se reunir com Ana de Hollanda para discutir a sucessão e que considera a pasta importante por tratar da identidade brasileira.

POLÊMICAS

Irmã do compositor Chico Buarque, Ana de Hollanda é cantora e fez carreira na burocracia estatal, trabalhando inclusive na Funarte.

Sua gestão foi marcada por críticas e em diversas oportunidades o Planalto precisou negar a saída da ministra.

A ministra sofria pressão de setores do PT desde que cancelou a nomeação do sociólogo Emir Sader para presidir a Fundação Casa de Rui Barbosa. O sociólogo havia dito à Folha que a ministra era "meio autista".

Além da pressão por parte de petistas, as críticas à ministra se devem à política sobre direitos autorais defendida pela pasta, à suspensão de pagamento de convênios e à retirada do selo Creative Commons (licença para uso de conteúdo) do site do ministério.

Outra crítica de parte do setor cultural é que ela não teria se empenhado para reduzir o corte no orçamento da Cultura neste ano.

No ano passado, a CGU (Controladoria Geral da União) determinou ainda que Ana devolvesse cinco diárias que recebeu quando estava no Rio de Janeiro sem compromissos oficiais.

Em outra polêmica envolvendo a ministra, a Comissão de Ética Pública da Presidência pediu esclarecimentos à ministra por ter recebido camisetas da escola de samba Império Serrano para desfilar no Carnaval.

O brinde foi enviado seis meses após o ministério zerar a inadimplência da agremiação carioca, desbloqueando o CNPJ da escola.

MARTA

Esta será a segunda passagem de Marta Suplicy no governo federal. Em 2007, assumiu o Ministério do Turismo durante a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, foi criticada por conceder entrevista em que aconselhou a população do país "relaxar e gozar" em meio a caos nos aeroportos.

Deixou a pasta em 2008 para disputar a Prefeitura de São Paulo, mas perdeu a disputa no segundo turno para o atual prefeito, Gilberto Kassab (PSD).

Famosa por apresentar um programa de TV que falava sobre sexo na década de 80, Marta foi deputada federal na década de 90 e também prefeita da cidade entre 2001 e 2004, mas não conseguiu ser reeleita.

Ex-mulher do senador Eduardo Suplicy, de quem ainda carrega o sobrenome, é uma das lideranças do PT em São Paulo.

TROCA

Ana de Hollanda é a 13ª ministra a deixar o governo da presidente Dilma Rousseff - ao todo, oito ministros deixaram a gestão de Dilma devido a denúncias de irregularidades.

Os ministros que já deixaram a Esplanada dos Ministérios são: Antonio Palocci (Casa Civil), Pedro Novais (Turismo), Alfredo Nascimento (Transporte), Nelson Jobim (Defesa), Orlando Silva (Esporte), Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário), Mário Negromonte (Cidades), Iriny Lopes (Mulheres), Luiz Sérgio (Pesca), Carlos Lupi (Trabalho), Wagner Rossi (Agricultura) e Fernando Haddad (Educação).

 

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