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14/11/2012 - 05h15

Grupo irá apurar perseguição a jornalistas

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PATRÍCIA BRITTO
DE SÃO PAULO

A Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) programa para janeiro o lançamento da Comissão Memória, Verdade e Justiça, que vai apurar a perseguição à imprensa durante a ditadura militar.

O foco do grupo serão os casos de censura, impedimento ao trabalho de jornalistas, prisões, torturas, mortes e desaparecimentos de profissionais da comunicação no período (1964-1985).

"Pela primeira vez, vamos montar um acervo a partir do olhar dos jornalistas. Eles contarão a sua história desse período", diz o presidente da Fenaj, Celso Schröder.

Apesar de muitos casos de censura e violência contra jornalistas já serem conhecidos, como a perseguição ao tabloide "O Pasquim" e a morte de Vladimir Herzog, então diretor de jornalismo da TV Cultura, Schröder acredita que histórias ainda desconhecidas serão reveladas.

"Embora os casos mais dramáticos já estejam relatados em sua maioria, achamos que é possível ampliá-los. E vão aparecer mais casos de tortura, censura e violência contra jornalistas desse período", disse.

Schröder também diz esperar que o trabalho da comissão da Fenaj revele como foi a perseguição à imprensa fora dos grandes centros, como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. "Tenho viajado e percebido que há casos por todo o país que estão ou pouco registrados, ou registrados muito localmente."

Para descentralizar as pesquisas, os 31 sindicatos de jornalistas do país --27 estaduais e quatro municipais-- serão acionados para colher documentos e relatos em seus Estados. Os sindicatos de São Paulo e do Rio já trabalham nesse sentido.

A Fenaj também contará com a assessoria de uma empresa especializada em pesquisa de documentos. A intenção é compilar todas as narrativas em um relatório, a ser encaminhado à Comissão Nacional da Verdade em agosto do próximo ano.

Dentre os nomes que são cotados para integrar a comissão estão os jornalistas Audálio Dantas, Carlos Alberto Oliveira (Caó), Nilmário Miranda, Rose Nogueira e Sérgio Murillo de Andrade.

O presidente da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), Maurício Azêdo, informou que, há mais de um ano, a instituição levanta casos de limitação do trabalho de jornalistas no período da ditadura e os publica no site e jornal da entidade. "Temos, em sucessivas edições, exposto a violência e os crimes praticados pelos torturadores da ditadura", disse.

Ele afirma ainda que a associação continuará publicando suas pesquisas, mas que não pretende criar uma comissão específica para tratar do assunto.

 

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