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50 anos do Golpe de 1964

Família de Paulo Malhães confirma que ele tinha problemas cardíacos

Daniel Marenco-25.mar.2013/Folhapress
Descrição da causa de morte traz termos inespecíficos que não permitem tirar nenhuma conclusão
Descrição da causa de morte traz termos inespecíficos que não permitem tirar nenhuma conclusão
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A descrição da causa de morte do coronel reformado Paulo Malhães, citada na guia de sepultamento, traz termos inespecíficos que não permitem tirar nenhuma conclusão. As causas indicados são "edema pulmonar, isquemia do miocárdio, miocardiopatia hipertrófica, evolução de estado mórbido (doença)". De acordo com especialistas, todas as pessoas que morrem apresentam edema pulmonar e isquemia do miocárdio.

Familiares de Malhães confirmaram que ele tinha problemas cardíacos.

O coronel reformado faleceu na última quinta-feira (24), durante uma invasão de três homens a sua casa, em Nova Iguaçu (RJ). Um mês antes, ele havia prestado depoimento à Comissão da Verdade, no qual admitiu ter torturado, matado e ocultado cadáveres de presos políticos durante a ditadura militar (1964-1985).

Segundo o patologista Paulo Saldiva, da USP de São Paulo, é pouco provável que a morte tenha sido causada por infarto, a menos que o coronel já tivesse sinais do evento cardíaco horas antes ou que a autópsia tenha detectado um trombo (coágulo) na coronária. Mas, para isso, o cadáver teria que ter passado por um exame mais sofisticado.

Para confirmar a hipótese de asfixia, inicialmente divulgada pela polícia, também há sinais a serem observados. Nessa situação, pequenos vasos capilares se rompem e formam pequeninas manchas (parecidas com picada de pulga) no pulmão e na membrana que recobre o coração, o epicardio.

Malhães foi enterrado neste sábado, no cemitério de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A cerimônia foi acompanhada por cerca de 30 pessoas, a maior parte familiares do militar, que tinha cinco filhos.

Na sexta-feira, a polícia afirmou que o militar reformado havia morrido asfixiado –seu corpo foi encontrado de bruços, no chão de um cômodo, com a cabeça afundada em um travesseiro. Segundo sua mulher, o casal e um caseiro teriam sido rendidos por três homens na tarde de quinta, em casa, e mantidos em cômodos separados. Os criminosos levaram dois computadores, algumas joias, armas e R$ 700.

A polícia suspeita que nos computadores pudesse haver nomes de outros militares que atuaram na repressão e não descartou nenhuma hipótese. "Consideramos até latrocínio, uma vez que foram levados vários pertences da vítima. Também pode ser vingança pelo depoimento prestado na Comissão da Verdade. A investigação está apenas começando", afirmou o delegado Fabio Salvadoretti, responsável pelo caso, na sexta (25).

O perito legista aposentado Levi Miranda disse à Folha que "é prematuro afirmar que a causa da morte do coronel foi infarto ou miocardiopatia". "O perito poderia dizer que o coração estava dilatado ou espessado em alguma região, mas dar diagnóstico com certeza teria que mandar todos os exames para laboratório", disse.

"O diagnóstico de certeza somente com exame histopatológico", destaca Miranda.

SEPULTAMENTO

O corpo do coronel reformado Paulo Malhães foi enterrado por volta das 15h30 deste sábado, no Cemitério Municipal de Nova Iguaçu. Cerca de 30 pessoas participaram da cerimônia – entre elas parentes e amigos. Eles cantaram músicas religiosas e bateram palmas em homenagem ao militar.

"A gente sabe o que ele era para vocês, mas para a gente ele era apenas o nosso pai", afirmou Paulo Malhães, 28, filho do oficial.

Sobre o crime, o jovem disse ainda não saber o que aconteceu. "Estamos tão perdidos quanto vocês", afirmou.

Muito abalada, a mulher do coronel não quis dar entrevista. Nelson Vianna, 51, genro do militar, disse que Paulo Malhães cuidava de um problema no coração.

"Ele vinha apresentando problema de saúde, tinha problema de coração, alguma coisa nesse sentido", disse, após o enterro.

Folhapress
Guia de Sepultamento do coronel Paulo Malhães
Guia de Sepultamento do coronel Paulo Malhães

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