Kassab não descarta Alckmin, mas diz que Meirelles é o 'plano A' do PSD

Crédito: Pedro Ladeira/Folhapress BRASILIA, DF, BRASIL, 03-01-2018, 10h00: O ministro da ciência tecnologia e Comunicações Gilberto Kassab durante entrevista em seu gabinete. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) ***ESPECIAL*** ***EXCLUSIVO***
O ministro das Comunicações, Gilberto Kassab, fala à Folha em seu gabinete em Brasília

LEANDRO COLON
DIRETOR DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Presidente licenciado do PSD, o ministro Gilberto Kassab (Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações) afirma que Henrique Meirelles é o "plano A" do partido para disputar a Presidência neste ano. Segundo ele, não há "plano B ou C" na legenda ao nome do ministro da Fazenda.

Kassab deixa a porta aberta para possível apoio ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), outro presidenciável, se a candidatura de Meirelles não vingar.

O ministro recebeu a Folha em seu gabinete nesta quarta (3) para sua primeira avaliação da conjuntura eleitoral. Para ele, é fundamental que os defensores das reformas do governo de Michel Temer se unam em torno de uma única candidatura.

"Tenho me esforçado muito para que esse caminho seja o Meirelles. Mas pode ser o Meirelles, o presidente Temer, por que não? E pode ser o Alckmin", disse.

Kassab ainda diz que aceitaria ser vice numa chapa ao governo de São Paulo liderada pelos tucanos José Serra ou João Doria. "Mas não é hora de discutir isso", afirma.

Folha - Em recente entrevista à Folha, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse que Henrique Meirelles, primeiramente, precisa saber se o PSD vai até o fim com ele. O partido vai até o fim com a candidatura do ministro?
Gilberto Kassab - Alguém questionar a honestidade da relação de confiança entre PSD e Meirelles é subestimar o que se tem na vida pública. Isso são mais observações para tentar jogar um contra o outro. Nenhum partido faz por um presidenciável o que o PSD faz pelo Meirelles. Temos imenso orgulho de tê-lo filiado. Ele tem tido desempenho que poucas vezes um gestor teve à frente da Fazenda.

Encontrou situação adversa e conseguiu reverter tendências, apresentar resultados extraordinários. Grandes lideranças do partido têm se organizado para recebê-lo. Nenhum partido deu um tempo de televisão como demos a ele.

Você fazer uma afirmação de que ele será ou não candidato é cair numa cilada para que nossas relações possam ser deterioradas. Ele poderá ser como não ser. E o partido não tem como candidatura própria plano B ou plano C, só plano A, que é o Meirelles.

Meirelles diz que o governo terá um candidato para defender o legado e que não será o Alckmin. O sr. concorda?
Acho que aqueles que acreditam que as reformas tenham sido positivas para o Brasil, sejam os partidos, sejam os presidenciáveis, precisam estar juntos, para não correr o risco de haver divisão no primeiro turno e nenhum chegar no segundo.

O ideal é ter um só candidato defendendo o governo?
É difícil fazer uma afirmação dessa, porque cada partido tem autonomia, independência. Mas que precisa haver esforço para que essas forças que defendem as reformas, que esses presidenciáveis e partidos estejam juntos, é fundamental. E todos vão precisar ter bom senso para entender qual o melhor caminho.

Tenho me esforçado muito para que esse caminho seja o Meirelles. Mas pode ser o Meirelles, o presidente Temer, por que não? E pode ser o Alckmin. Na medida em que tenha clareza do plano de governo, é mais saudável e prudente que tenhamos um só candidato.

Mas o Meirelles deixa claro que o PSDB não defende o legado do governo e que esse candidato deveria defender.
Não vou falar pelo PSDB, falo pelo PSD. Entendo que tem aquele grupo de presidenciáveis que defende essas reformas e acho que o Alckmin, pelo que tenho visto, tem defendido. O Meirelles nem se fala. O Temer nos lidera. Presidenciável não significa candidato, mas que tem condição de ser presidente. O Temer tem, já é, o Meirelles tem e o Geraldo Alckmin também. É importante um esforço para um entendimento.

Crédito: Vanessa Carvalho - 31.mar.2014/Brazil Photo Press/Folhapress Gilberto Kassab e Henrique Meirelles em evento do PSD em 2014
Gilberto Kassab e Henrique Meirelles em evento do PSD em 2014

O Meirelles não passa de 2% nas pesquisas. Se ele se mantiver nesse patamar, o PSD vai bancar sua candidatura?
Essa resposta é muito difícil. A pesquisa é muito importante, mas não a única maneira de se avaliar. Quando fui candidato à reeleição à prefeitura de São Paulo [em 2008], tinha 2%, 3%, e acabei vencendo.

Meirelles é um presidenciável. Afirmar agora que será candidato é um desrespeito com os companheiros de partido. O Meirelles sabe que o que tiver nosso alcance para ser viabilizado será feito. E na hora certa vamos discutir com ele.

Qual o milagre para uma candidatura decolar até o fim de março ?
Não é decolar. O processo está começando. Ninguém pode desqualificar o perfil do Meirelles, como o do Temer e o do Alckmin.

O tom do discurso do sr. é de que o partido não está totalmente convencido de que Meirelles será candidato.
O partido trabalha para que seja. É evidente. O que está a nosso alcance para fortalecer a candidatura do Meirelles, estamos fazendo. O partido admite eventualmente não ter candidato, mas nosso esforço é para ter.

Não é difícil defender o legado de um governo com uma aprovação tão pífia, de 5%?
A discussão na eleição é totalmente diferente da de hoje. Na eleição vamos ter números, as pessoas vão lembrar que estão convivendo com uma inflação baixa, que era alta, corroendo salários. Vamos ter as pessoas atestando alimentos mais baratos.

O sr. defende reformas, mas metade da bancada do partido é contra a da Previdência.
Vamos conviver com essa dificuldade de fechar questão por alguns anos. Nosso esforço será para dar o maior número de votos possíveis.

Por que Meirelles omitiu a reforma da Previdência no programa de TV do PSD?
Não, ele citou. O programa partidário tem limitações. O Meirelles com muita clareza citou a nova Previdência.

No programa do PSD, Meirelles disse que o governo anterior [de Dilma Roussef] "quebrou" o país. O sr. foi ministro dela.
Cada governo com suas circunstâncias. O processo de formação do PSD ocorreu no alinhamento em 2014 com uma candidatura do PT. E a bancada me escolheu como ministro [na época] e agora como do Temer. O partido, em ambos os casos, estava tentando dar sua contribuição.

O que muda a disputa com ou sem a candidatura do Lula?
O PT é forte. Com ou sem Lula, vai ter um protagonismo com chance muito grande de segundo turno. O eleitor que vota no Lula dificilmente deixará de votar num candidato apoiado por ele. Não estou entre os que acham que, sem Lula, algo muda.

O PSD apoiaria um candidato do PSDB a governador de SP?
Pode apoiar. Sempre cito duas candidaturas: a de José Serra e a do [João] Doria. O Serra com certeza apoiaríamos e o Doria não tem porque não apoiar. Em princípio, porque depende muito de circunstâncias.

O sr. aceitaria ser vice do Doria ou do Serra?
Aceitaria. O partido não se sentiria diminuído. Mas não é hora de discutir isso. Candidatura a vice não se discute. O momento é de definir o rumo do partido.

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