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PV de SP cobra "pedágio" de candidatos a deputado
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BERNARDO MELLO FRANCO
EDUARDO OHATA
DE SÃO PAULO
O PV impôs um pedágio aos filiados que vão disputar vagas de deputado estadual ou federal pelo partido em São Paulo. Homens têm de pagar R$ 5.000, e mulheres, R$ 2.500 para concorrer.
Segundo relatos feitos à Folha, a taxa foi exigida aos 240 candidatos oficializados ontem, na convenção estadual do partido. A presidenciável Marina Silva foi a estrela da festa.
A sigla apresentou chapa com 168 homens e 72 mulheres. Se todos tiverem pago, o valor arrecadado chega a R$ 1,02 milhão.
O pedágio foi cobrado nos últimos dias no Diretório Estadual do PV, na Vila Mariana. A reportagem esteve no local anteontem e, sem se identificar, perguntou o que era necessário para inscrever uma candidata.
Em conversa gravada, uma funcionária do partido chamada Anna informou os valores e deixou claro que a taxa era obrigatória. "É geral. Todos os homens e todas as mulheres pagaram isso".
Ela forneceu uma lista de documentos exigidos, como cópias de RG e CPF. À mão, escreveu o telefone do secretário estadual de organização da sigla, Alexandre Bissoli, a quem deveria ser entregue a "contribuição".
A funcionária avisou que o pagamento só poderia ser feito em cheque e à vista: "Parcelar, não tem como. Mas eu seguro [o cheque]".
Ela ainda brincou com o desconto para as mulheres: "Viu como é bom ser mulher? Mas se ela quiser pagar R$ 5.000, pode pagar".
COMPULSÓRIO
O presidente estadual do PV, Maurício Brusadin, disse que a taxa era opcional, para candidatos interessados em receber suporte do partido.
"Como a gente poderia falar de ética e fazer isso? Se só dou legenda a quem pagar, estou trocando o critério político pelo financeiro", disse.
Quatro candidatos confirmaram à Folha que foram obrigados a pagar a taxa.
"Não tinha como não pagar", afirmou a recepcionista Dora Ribeiro, que tenta vaga na Assembleia Legislativa.
Moradora de Itaquera (zona leste), ela disse ter entregue o dinheiro anteontem, sem ouvir promessa de contrapartida. "O dinheiro entrou mais como doação ao partido", disse ela, que achou o valor "salgado".
Candidato a deputado estadual, Cleverson Alves da Silva contou ter sido avisado de que o pagamento era obrigatório para obter legenda.
"Me passaram que é R$ 5.000 para homem. Mas não sei se a minha assessoria já mandou pagar", disse.
Os candidatos Walter Felix (federal) e Maria Luzia Cassimira (estadual) também confirmaram a cobrança.
Segundo técnicos da Procuradoria Regional Eleitoral, a lei não prevê pagamento em troca do registro de candidatura. O órgão analisa os casos individualmente e, se constatar abusos, pode eventualmente denunciar os partidos à Justiça Eleitoral.
OUTRO LADO
O presidente estadual do PV, Maurício Brusadin, confirmou a existência de taxas de R$ 5.000 para homens e R$ 2.500 para mulheres que vão se candidatar a deputado, mas disse que a cobrança não teria caráter obrigatório.
Ele afirmou tratar-se de uma "vaquinha" para cobrir gastos dos filiados. Entre as despesas, citou a encomenda de material gráfico, como santinhos, e serviços de assistência jurídica e contábil. "Os candidatos que não desejarem não precisam [pagar]", disse ele.
O dirigente afirmou que os funcionários do partido são orientados a dizer aos pré-candidatos que a cobrança da taxa não é obrigatória, o que não ocorreu no diálogo gravado pela Folha. "Não tem obrigatoriedade. Se tivesse, eu te diria", disse o dirigente do PV.
Segundo Brusadin, o desconto para as mulheres é uma espécie de "subsídio" para ajudar o partido a cumprir a cota de 30% de candidaturas femininas.
Procurado, o secretário estadual de Organização do PV, Alexandre Bissoli, não ligou de volta.
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