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Críticas a Belo Monte são "fantasias", diz Lula
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JOÃO CARLOS MAGALHÃES
ENVIADO ESPECIAL A ALTAMIRA
Em viagem à região onde será construída a hidrelétrica de Belo Monte, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu hoje em Altamira (PA) que as críticas à usina são "fantasias".
Segundo Lula, os críticos da obra são como ele já foi no passado: bem intencionados, mas mal informados.
"Quando eu tinha a idade deles [críticos] eu ia para o Paraná fazer manifestações contra a construção de Itaipu", afirmou.
"Os contrários, por falta de informação, diziam que o lago de Itaipu iria provocar terremotos na região. [...] Eles diziam que Itaipu iria mudar todo o clima da região. [...] Que a água iria vazar por baixo da Terra e que iria mudar o eixo da Terra", disse, gerando risos na plateia.
"Por estas fantasias construídas que a gente não tem de ter medo de debater. São por estas fantasias construídas que nós precisamos dizer: o Estado do Pará e a região do Xingu não podem prescindir de Belo Monte", afirmou Lula.
Dentre os críticos da hidrelétrica há um grupo de dezenas de acadêmicos de institutos de pesquisa de ponta, como USP (Universidade de São Paulo) e ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica). Eles produziram um relatório de centenas de páginas com análises científicas sobre a usina, tentando demonstrar a inviabilidade do projeto de R$ 25 bilhões.
Lula falou no final da manhã de hoje, para uma multidão de ao menos 8.000 pessoas, em um estádio de futebol. A cerimônia foi um "ato pelo desenvolvimento de Belo Monte".
Durante a cerimônia, um pequeno grupo, de no máximo cem pessoas, protestou contra a usina, na frente do estádio, com faixas e palavras de ordem. Eles queimaram um boneco, que representava Lula.
Em seu discurso, Lula deu um "conselho" aos manifestantes. "Proponha alternativa para utilizar os R$ 4 bilhões que estamos disponibilizando para cuidar da questão ambiental e social [...]. Passem metade do dia gritando contra, e passe metade colocando a energia positiva de vocês para pensar alguma coisa importante".
O presidente os chamou de "meia dúzia de jovens bem intencionados" e afirmou que, mesmo depois de sair da Presidência, continuará fiscalizando a construção da hidrelétrica.
Vazamento de óleo
Antes de voar para Marabá (PA), onde continuaria sua agenda, Lula ainda criticou norte-americanos que são contra o projeto.
"Certamente, ele [crítico de Belo Monte] ficaria encantado com o americano que veio aqui. Eles [americanos] deveriam ir lá tirar o petróleo do golfo do México que está poluindo o oceano."
O comentário foi uma alusão às ONGs estrangeiras que ajudam a articular a resistência contra a hidrelétrica.
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