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Em inauguração de comitê, Dilma diz ter recebido 'herança' de Lula
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MÁRCIO FALCÃO
RANIER BRAGON
DE BRASÍLIA
Atualizado às 21h46.
Ao inaugurar o comitê central de sua campanha à Presidência, Dilma Rousseff voltou a negar nesta terça-feira falta de experiência administrativa e afirmou que recebeu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a "herança" de cuidar do povo brasileiro.
Criticada pela oposição por nunca ter disputado uma eleição, Dilma afirmou que faz parte de uma coligação experiente que "não começou ontem" e promoveu o governo Lula. Sob o nome "Para o Brasil Seguir Mudando", a coligação oficial de Dilma é formada por PT, PMDB, PDT, PSB, PR, PC do B, PRB, PTN, PSC e PTC.
"Essa casa [comitê] vai ser o lugar que vamos organizar todos os partidos que sustentam essa coligação. Somos uma coligação experiente. Aqui estão partidos experientes, que não começaram ontem, que tem pessoas experientes, têm experiência de governo. Em sete anos, o Brasil descobriu outro caminho.
Seguindo a estratégia de mostrar que é a candidata da continuidade, Dilma elencou para uma plateia com centenas de militantes da coligação, ações do governo Lula e garantiu que ela recebeu a missão do presidente Lula de ser a sucessora.
"Um dos maiores compromissos que eu carrego é garantir que um governo de uma mulher seja capaz de dar continuidade, levar pra frente e fazer cada vez melhor esse País. O presidente Lula, com sua sensibilidade, sua compreensão do nosso povo, n me confiou essa missão. O presidente Lula me deu talvez a maior herança que alguém pode dar a alguém, me deu a missão de cuidar do povo que ele tanto ama. Eu vou cuidar desse povo com toda a responsabilidade fazendo com que nós não só continuemos, mas avancemos", disse.
A inauguração do comitê começou com quase duas horas de atraso. Em meio à espera pela chegada da candidata, o candidato a deputado estadual pelo PMDB, Edivaldo de Freitas, 49, entrou em confronto com um dos seguranças do evento e quebrou uma das vidraças do comitê. Ele queria entrar na área reservada para autoridades, mas não foi autorizado. Freitas disse que, após o episódio, deixaria de apoiar Dilma.
O tumulto entre seguranças e candidatos a deputado se repetiu por várias vezes devido a lotação do local dos políticos. Os candidatos queriam aproveitar a presença de Dilma para tirar fotos.
O presidente Lula não compareceu ao evento. O presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, disse que o nome do edifício escolhido para abrigar o comitê era um sinal do que deve ocorrer nas urnas."Eu declaro que está inaugurado o comitê da coligação "Para o Brasil seguir mudando". Não sei se vocês repararam, mas há alguns sinais, coisas que não estavam previstas, então, vocês repararam o nome do edifício é vitoria. No dia 3 de outubro, é isso que vai acontecer é a vitória de Dilma."
O vice de Dilma, o presidente da Câmara Michel Temer (PMDB), também brincou com o nome do edifício e disse que ele e a petista precisam se "acostumar com a vitória". Temer disse ainda que Dilma é a mais preparada para assumir o comando do país porque todas as medidas do governo Lula têm sua marca. "Todas as vitórias do governo Lula tem o dedo, a expressão, a marca, o entusiasmo, a virtude da ministra Dilma que vai continuar mudando o Brasil. Eu quero participar desse processo", afirmou.
ESTRUTURA
O PT montou uma megaestrutura para a inauguração do escritório. Foi instalado um painel na fachada do Edifcío Vitória, escolhido para abrigar o comitê, de 480 m² que estampa a foto da petista ao lado do presidente Lula. No palanque montado para os discursos, há outra imagem de Lula e Dilma. Há ainda dois grandes telões instalados ao lado do palco.
Com a proibição do showmício, a única trilha sonora no local é o jingle da campanha que também cola a imagem de Dilma a de Lula.
O partido pagará R$ 40 mil mensais por três andares do edifício -- que fica região central de Brasília, que somam 1.400 m². O prédio escolhido para o comitê Dilma Presidente fica ao lado da sede nacional do partido e do local utilizado pelo partido durante a campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006.
Apesar do aluguel do escritório, o PT decidiu manter outros núcleos da campanha, como a casa no Lago Sul e salas no Hotel Brasília Imperial --com gastos, ao mês, de R$ 10 mil a R$ 12 mil cada. A ideia é que os dirigentes dos dez partidos da coligação tenham espaço reservado para despachar.
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