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15/07/2010 - 08h29

Candidato a deputado, Protógenes diz guardar R$ 284 mil dentro de casa

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BRENO COSTA
DE SÃO PAULO

Responsável pela prisão de figuras como o banqueiro Daniel Dantas, o contrabandista Law Kin Chong e o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz não tem coragem de deixar seu dinheiro em banco.

Afastado da Polícia Federal desde o ano passado, Protógenes agora é candidato a deputado federal pelo PC do B em São Paulo. Na sua declaração de bens à Justiça Eleitoral, o delegado declara ter R$ 284 mil em dinheiro vivo em casa, "por segurança".

"A máfia, as organizações criminosas, tentam clonar cheques. Faço isso [deixar dinheiro em casa] desde 2000. O salário entra, eu retiro e deixo em casa. Sob o ponto de vista legal, não tem problema", disse.

Ainda que por razões diferentes, Protógenes segue o exemplo de políticos como a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, que declarou ter R$ 113 mil em espécie, e do candidato ao senado Orestes Quércia (PMDB-SP), que tem em casa R$ 1,28 milhão.

Os maços de dinheiro que Protógenes guarda em casa representam 34% do patrimônio total declarado pelo candidato: R$ 834,5 mil, distribuídos entre duas casas em Niterói (RJ) e São Gonçalo (RJ) e apartamentos em Brasília, Rio de Janeiro, Guarujá (SP) e Foz do Iguaçu (PR).

Questionado pela Folha se se considerava um homem rico, Protógenes disse que tem "patrimônio de quem trabalha honestamente". Segundo ele, seu salário é de cerca de R$ 14 mil.

O delegado é réu em processo na Justiça Federal de São Paulo, acusado de crime de vazamento de informação sigilosa e fraude processual no curso da Operação Satiagraha, deflagrada em julho de 2008 e que resultou na prisão de Daniel Dantas.

Desde a operação, Protógenes virou alvo de 12 procedimentos movidos pela PF, entre inquéritos, processos administrativos e sindicâncias. Seu afastamento, ocorrido em abril de 2009, foi motivado pelo suposto uso de seu cargo ao participar de um comício em Minas Gerais.

 

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