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DEM e PT apoiam candidatos filmados no caso do mensalão do DF
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FILIPE COUTINHO
DE BRASÍLIA
Após prometer que não fariam campanha com envolvidos no mensalão do Distrito Federal, DEM e PT vão apoiar candidatos que aparecem em vídeos recebendo dinheiro do delator do esquema.
Os dois partidos, que se opuseram durante a crise, agora terão em suas chapas João Luiz Arantes (DEM) e Luiz França (PHS), candidatos à Câmara Legislativa do DF.
Arantes e França apareceram no auge da crise em vídeos entregues à Justiça por Durval Barbosa, delator do mensalão do DEM. João Luiz Arantes (DEM), ex-subsecretário de Saúde, foi flagrado recebendo dois maços de dinheiro de Barbosa e guarda nos bolsos do paletó.
Luiz França (PHS), por sua vez, recebe pouco mais de R$ 30 mil e ainda devolve troco para Barbosa. Ele era chefe do "Na Hora", serviço de expedição de documentos do governo de José Roberto Arruda (sem partido).
Luiz França
João Luiz Arantes
Assista vídeo com João Luiz Arantes
O lançamento das candidaturas coloca em contradição os discursos de DEM e PT. Por diversas vezes, o DEM afirmou que cortaria na própria carne para não se lamear na crise. Para isso, fez uma intervenção no diretório distrital do partido e ameaçou expulsar o ex-governador José Roberto Arruda (sem partido).
Segundo o presidente do diretório distrital do DEM, senador Adelmir Santana, a Executiva do partido analisará o caso de João Luiz Arantes. "Ele apresentou toda a documentação e o partido não teve acesso ao vídeo e ao inquérito. Teremos que reunir a Executiva para discutir o que fazer. É uma situação difícil, mas o discurso do DEM no combate ao mensalão é real", afirmou.
O PT, por sua vez, aceitou fazer uma ampla aliança com dez partidos com a condição de fazer uma chapa "limpa", sem nomes envolvidos no mensalão. Agora, o candidato ao governo Agnelo Queiroz tem como aliado o PHS, de Luiz França. A Folha procurou Agnelo, que não quis comentar o apoio de França à chapa.
Para o presidente regional do PT, Roberto Policarpo, a sociedade vai saber "diferenciar" os candidatos dos partidos. "A gente tinha dito que ia evitar [envolvidos no mensalão], mas quando fechamos as alianças não discutimos candidaturas. Nossa aliança é com o partido, e não com os candidatos. Os partidos deveriam ter feito essa depuração e agora esperamos que a sociedade faça", afirmou.
OUTRO LADO
Procurado pela Folha, João Luiz Antes não retornou as ligações. Em seu site, o candidato do DEM se lança como "Dr. João Luiz", "um bom médico e gestor". Defende, inclusive, o Ficha Limpa. "A conduta ética de Dr. João Luiz se espelha em sua grande aceitação popular, sem nunca ter sido envolvido em nenhum processo na Justiça", escreveu.
Apesar dos vídeos, Luiz França afirma que a investigação da Polícia Federal não atrapalha a campanha. "A população vai saber distinguir quem trabalha e quem é hipócrita. Não quero ser julgado pela imprensa ou por um fanfarrão, quero ser julgado pelo povo", afirmou.
França, contudo, não quis explicar a origem do dinheiro que recebe de Durval Barbosa. "É uma grande armação. Na época certa, vamos explicar na Justiça", disse.
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