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16/07/2010 - 14h01

Serra afirma que procurou Lula para fazer reforma política

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FÁBIO GUIBU
ENVIADO ESPECIAL A CARUARU

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, disse nesta sexta-feira, em entrevista à "Rádio Jornal", de Recife, que procurou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quanto este foi eleito, para propor uma reforma política.

O tucano disse que Lula decidiu não levar a ideia adiante, embora não fosse contrário à proposta.

"Eu procurei o Lula logo que ele foi eleito, mas ele não topou. Não porque ele fosse contra", disse Serra, que insinuou que já naquela época o presidente começou a ver as dificuldades políticas que enfrentaria para realizar o projeto.

Segundo o candidato, o mesmo ocorreu quando levou a ideia a Fernando Henrique Cardoso. Serra afirmou que Lula e FHC se parecem na forma de fazer política.

"Fernando Henrique igualzinho. Os dois são muito mais parecidos do que parecem. O ouvinte pode estar surpreso, mas eu conheço os dois."

O ex-governador de São Paulo prometeu: "apesar das resistências, vou peitar a reforma política".

No Estado natal de Lula, Serra voltou a usar a tática de não atacar o presidente, e contou que votou no petista em 1989 na disputa contra Fernando Collor.

"Depois, também, não tinha como, porque foi contra candidato do meu partido".

Ao tentar firmar ligações com o Estado, o tucano declarou ter crescido na política em Pernambuco.

"Tem o Lula, que é pernambucano, mas cresceu em São Paulo, e tem eu, que nasci em São Paulo, mas cresci na política aqui em Pernambuco desde a época de estudante. Vou ser um grande amigo do Estado".

Serra voltou a criticar a candidata do PT, Dilma Rousseff, e afirmou que a petista "precisa começar a andar com as pernas dela".

"Ela não vai ser nomeada pelo Lula e pelo PT. Não existe terceirização de cargo de presidente. O presidente vai ter que tomar decisões sozinho".

Ao citar a ausência de Dilma em debates, o candidato afirmou que vai a qualquer um deles. Serra, no entanto, criticou a presença de partidos nanicos e legendas de aluguel, mas fez exceção ao PSOL.

"Tirando o PSOL, que é um partido pequeno, mas que tem ideologia, não leva a nada você enfiar no debate gente que não tem representatividade".

O tucano voltou a dizer que é contra a construção do trem-bala se houver dinheiro público no negócio.

"Se for com dinheiro público ou empréstimo do BNDES eu preferia fazer outras coisas", disse, citando as ferrovias Transnordestina e Norte-sul, e os metrôs de Recife, Belo Horizonte, Salvador, Fortaleza e Rio de Janeiro.

"Teria um benefício incrível para a população de todo o Brasil em vez de fazer com dinheiro público o trem-bala, que vai de São Paulo ao Rio. Não tem demanda, não tem passageiro".

 

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