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Enfrentamento entre presidenciáveis marca debate Folha/UOL; até Marina foi ao ataque
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DE SÃO PAULO
Atualizado às 20h10.
O enfrentamento entre candidatos à Presidência da República marcou o debate promovido pela Folha e pelo UOL nesta quarta-feira em São Paulo, o primeiro na história do país transmitido ao vivo pela internet.
Até a candidata Marina Silva (PV), que vem apresentando um discurso conciliador na campanha, partiu para o ataque contra o PT e o PSDB.
Atrás nas pesquisas, o tucano José Serra subiu o tom das críticas contra a petista Dilma Rousseff. Eles protagonizaram boa parte dos momentos de confronto do debate, realizado no teatro Tuca, em São Paulo.
Veja, bloco a bloco, o debate Folha/UOL
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Marina Silva também entrou no tom do encontro: ela criticou a gestão tucana na educação em São Paulo ("mesmo com 20 anos de governo do PSDB temos graves problemas na educação") e disse, numa referência à campanha de Dilma Rousseff , que "estão tentando infantilizar o país", ao atribuir a maternidade ou a paternidade de programas do governo federal.
Dilma e Serra se confrontaram por diversas vezes e em diversos temas, e sempre divergiram.
| Fábio Braga/Folhapress | ||
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Em embates diretos, debateram a posição de tucanos e petistas quando os partidos estavam na oposição, saneamento, carga tributária, Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), dentre outros temas. Trocaram farpas em todas as vezes em que se dirigiram um ao outro.
O primeiro enfrentamento, por exemplo, foi sobre o ProUni (programa federal de educação de concessão de bolsas a alunos carentes em instituições privadas)
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PROUNI
A questão formulada por Dilma a Serra foi sobre uma ADIN (ação direta de inconstitucionalidade) levada pelo DEM ao Supremo contra a existência do ProUni.
"O partido do seu vice [Indio da Costa] entrou na Justiça para acabar com o ProUni. Se a Justiça aceitasse o pedido, como você explicaria essa atitude para 704 mil alunos que dependem do programa", indagou Dilma.
Serra contra-atacou, lembrando de votações em que o PT, quando na oposição ao governo Fernando Henrique, foi contra proposições do governo.
"O DEM não entrou com processo para acabar o ProUni. Foi uma questão de inconstitucionalidade, um aspecto, etc. Nem tem a ver com a minha posição, a do meu partido. O PT votou contra a Lei de Responsabilidade, o Fundef. O que o PT já aprontou em matéria de tanto pior melhor, não tá escrito. Nunca quis perder tempo com isso em debates. Mas em matéria de quanto pior melhor, o PT foi campeão".
Dilma rebateu, dizendo que os petistas reconheceram seus erros.
"Aprovamos o Plano Real, e, mais do que isso, levamos à frente e utilizamos de forma adequada".
ENEM
Serra, afirmou que o Enem foi desmoralizado no Brasil no ano passado com o vazamento do conteúdo da prova.
"O Enem foi desmoralizado no Brasil, no ano passado, com este incrível vazamento do conteúdo da prova, resultados errados, deixando a juventude sem vontade de se submeter a ele. Agora vazaram dados sigilosos dos candidatos".
Dilma Rousseff (PT) rebateu a crítica e disse achar "um verdadeiro absurdo" dizer que o Enem foi desmoralizado porque uma gráfica, que está sendo objeto de investigação da Polícia Federal, vazou os exames.
"A gráfica é conceituada e de grande porte. Nós sabemos que qualquer sistema do mundo é passível de ser vazado."
Segundo ela, 231 instituições têm acesso a esses dados cadastrais do Enem e o governo deve investigar e punir.
Dilma ainda alfinetou o tucano ao dizer que o ''ProUni é muito sério, porque acabaram com a possibilidade de a União fazer ensino técnico''. Serra também rebateu e negou.
"Até 2006 vocês não fizeram nada em termos de escola técnica. No Brasil, o crescimento de matrícula foi de 85%; em SP, foi de 126,7%, considerando o conjunto de escolas técnicas. Sobre o Enem, houve sim o vazamento e o responsável é o Ministério da Educação. Vocês quebraram um sigilo bancário de um integrante do PSDB. E passaram o resultado do sigilo do Eduardo Jorge para a Folha."
CARGA TRIBUTÁRIA
Serra disse que viu "certa satisfação" de Dilma com a carga tributária brasileira.
"Você acha que tá bem. Eu acho que não. O Brasil tem, disparado, a maior carga tributária do mundo em desenvolvimento. Mas é um país cujo governo menos investe no mundo".
Dilma rebateu o tucano dizendo que achava que ele estava desatualizado.
"Sabe por que eu acho estranho? Porque eu acredito que esse número seja bastante antigo. A última vez que você o mencionou, eles estavam relacionados a um número de 2008. É bom você se atualizar e ver se essa afirmação tem consistência", disse, e emendou explicações sobre o que fez o governo Lula com relação ao tema.
"Ao longo do nosso governo tivemos uma prática sistemática de redução de impostos. Na última crise, reduzimos IPI de automóveis, da linha branca, construção civil. Fizemos todo um esforço de redução tributária para manter a economia funcionando."
A candidata petista, na sequência, fez novas críticas ao governo FHC.
"Acho que você teve uma avaliação errada da crise. Você supôs que seria mais profunda do que foi. Seria, se a gente utilizasse os padrões que estavam vigentes no governo FHC. Quando vinha crise, o Real estava indexado ao dólar, a economia quebrava".
SANEAMENTO
Serra retrucou as afirmações de Dilma afirmando que o governo Lula criou impostos altos para o saneamento e para o setor elétrico.
"Dilma, cê fica tão ligada pra trás, teu espelho retrovisor é tão grande, maior que o parabrisas, que você não vê que o seu governo, inclusive você, fez. Imposto sobre saneamento, que é fundamental, e o governo fez pouco. PIS/Cofins aumentou de 3% para 7,6% no seu governo. Tô estranhando que você não saiba disso. Tira 2 bilhões de reais por ano. Isso é subtraído do investimento no Brasil. Isso foi feito no seu governo, com você coordenando. Aumentou imposto sobre energia elétrica federal de 3,65% para 9,6% sendo responsável pelo aumento da tarifa de energia elétrica".
Dilma contra-argumentou afirmando que as origens dos problemas de saneamento no Brasil estão no governo FHC.
"Havia uma coisa chamada fila burra, forma pela qual o governo federal não deixava se investir em saneamento. Se o primeiro não apresentasse, o segundo não levava. Nós estamos botando 40 bilhões, enquanto o governo do senhor Fernando Henrique Cardoso botava muito menos. Discutir saneamento é algo que você não devia tentar, o seu governo não fez nada no Brasil".
MARINA SILVA
Marina Silva saiu de sua costumeira posição de conciliação, e atacou a gestão tucana no Estado de São Paulo na questão da educação, em debate com Serra.
Serra havia perguntada a ela sobre a importância do ensino técnico profissionalizante.
"Ensino técnico e profissionalizante é importante, mas é fundamental que façamos uma atualização de conteúdos, sair dessa situação vergonhosa que temos no país. O Rio de Janeiro, por exemplo, só ganha de Sergipe e do Piauí. Mesmo aqui em São Paulo, infelizmente, mesmo com 20 anos de governo do PSDB temos graves problemas na educação. Essa questão que é fundamental vem sendo negligenciada historicamente. São Paulo e Rio não têm nenhuma justificativa para não ter uma posição de vanguarda".
Serra propôs criar o Protec, que seria o ProUni do ensino técnico.
"Vou aumentar em 1 milhão as vagas no setor público em 4 anos no ensino técnico, além dos estudantes do Protec. Aqui em São Paulo promovemos um crescimento acelerado. Tem mais alunos no Estado do que na União".
SEGUNDO TURNO
Ao ser questionada sobre seu apoio no segundo turno, em caso de derrota, Marina descartou falar sobre o tema nesse momento.
''Não encontro muita diferença entre o governador Serra e a ministra Dilma. Ambos são bons gerentes. Ambos são muito bons na esgrima. Mas não foram capazes de atualizar seus pensamentos. Segundo turno eu discuto no segundo turno. A única forma de sair do anonimato é eleger Marina Silva para a Presidência da República. O Brasil amadureceu. Estão querendo infantilizar os brasileiros.''
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