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01/09/2010 - 18h14

Serra critica imprensa no caso da quebra de sigilos de sua filha

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BRENO COSTA
DE SÃO PAULO

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, voltou a culpar o PT de quebrar o sigilo fiscal de sua filha, Verônica Serra, e criticou a postura da imprensa no caso.

"O PT sempre faz assim. Eles aprontam, fazem algo sujo e depois vêm com a outra versão, alguma versão fantasiosa, alguma loucura, e a imprensa pega e fala: aí tem dois lados. Aí não tem dois lados, aí tem o lado da verdade e o lado da calúnia, da fraude, do crime contra a Constituição", afirmou o tucano em São Paulo.

Ontem, ele já havia classificado o acesso aos dados de ato criminoso. "Se eles fazem isso na campanha eleitoral da Dilma, imagine se ganharem a eleição", afirmou em entrevista ao "Jornal da Globo".

Serra também havia dito que "blogs sujos da campanha do PT" publicaram dados referentes ao imposto de renda de 2009 de Verônica.

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Reprodução

Hoje, a Receita Federal admitiu que "houve falsificação" do documento com a assinatura da filha.

Otacílio Cartaxo, secretário do fisco, leu comunicado no qual informou que o documento original foi entregue ao Ministério Público Federal para investigar o caso.

"A mídia já noticia que a senhora Verônica Serra não confirma a assinatura e que o cartório não confirma o reconhecimento da firma. Diante desses fatos, aconteceu a falsificação de documento público federal", disse Cartaxo, afirmando que caberá à Polícia Federal realizar perícia grafotécnica.

A Receita confirmou que a declaração de renda de Verônica Serra referente aos exercícios de 2007 e 2009 foi acessada em 30 de setembro do ano passado na delegacia do fisco em Santo André (SP). O documento falso solicitando os dados foi entregue por Antonio Caros Atella Ferreira, que se apresentou como procurador de Verônica --o que não é verdade.

O tabelião Fábio Tadeu Bisognin, titular do 16º Tabelião de Notas de São Paulo, verificou a autenticação e disse que "a falsificação do reconhecimento de firma é grosseira. Verônica Serra nunca teve cartão de assinatura neste cartório".

Verônica Serra também não reconhece a assinatura atribuída a ela no documento usado para quebrar seu sigilo na delegacia da Receita de Santo André (SP).

Em entrevista na edição de hoje da Folha, a analista tributária Lúcia de Fátima Milan admitiu ter acessado a declaração de renda, mas a pedido da própria Verônica, segundo ela, e com uma procuração registrada em cartório.

A procuração com a assinatura falsificada deu autoridade a Antonio Carlos Atella Ferreira para pedir a cópia das declarações de Verônica de 2008 e 2009.

Outras quatro pessoas ligadas a Serra tiveram seus sigilos violados na região, entre eles o vice-presidente do partido, Eduardo Jorge Caldas Pereira.

 

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