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Projeções apontam para uma base mais forte para Dilma no Senado
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DA REUTERS
Caso seja eleita presidente, a atual líder nas pesquisas, Dilma Rousseff (PT), deve contar com ampla maioria no Senado, conforme apontam projeções de consultorias políticas e de análise parlamentar.
Já o principal adversário da petista, José Serra (PSDB), na hipótese de vitória, precisaria compor sua base de sustentação com outros partidos políticos que não fazem parte nas eleições da coligação que o apoia.
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Para os especialistas ouvidos, a coligação que apoia Dilma, composta por 10 partidos, deve ficar com 39 a 58 senadores. A faixa, muito larga, se deve ao ainda grande número de disputas indefinidas.
Essa margem pode subir para 46 a 69 cadeiras se PTB, PP e PV --que atualmente compõem a base de apoio ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas não estão na coligação de Dilma-- migrarem para o bloco governista após eventual vitória da petista.
No caso de Serra, caso vitorioso, as projeções mostram hoje um apoio de 27 a 34 senadores.
"Trata-se de uma projeção conservadora, porque o número de indecisos ainda é muito alto", disse Rafael Cortez, analista político da Tendências Consultoria Integrada.
Segundo ele, candidatos do PT ao Senado que estão em terceira colocação em alguns Estados, segundo as pesquisas, ainda têm chances de se eleger, dado o nível de indecisão em torno dessa disputa, que, em alguns casos, chega a 30%, como em Minas Gerais, e o crescimento de Dilma na corrida presidencial.
"Ainda não chegou o momento em que os eleitores decidem voltar seus olhos para candidatos ao Senado. Imagino que esse horizonte deva ocorrer só em meados de setembro", argumentou Cortez.
DESAFIOS
Para Ricardo Ribeiro, analista político da MCM Consultores Associados, a oposição será o menor problema para um eventual governo Dilma. Um dos grandes desafios para a petista, caso eleita, será controlar a base governista.
Cortez, da Tendências, avalia que Dilma terá de sinalizar, logo depois da posse, como conduzirá a disputa dos principais partidos da coligação por cargos no governo, assim como as presidências do Senado e da Câmara.
"Esse pode ser o maior sinal de complicação política para ela no início de seu governo", afirmou Cortez.
Mas o diretor de Documentação do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), Antônio Augusto de Queiroz, acredita que PT e PMDB vão se revezar na presidência do Senado e da Câmara.
Para ele, "se o PT ficar sem a presidência de alguma das Casas, o PMDB perderá cota no ministério".
Já Ribeiro, da MCM, lembra de outro ponto. "Vai depender também de como vão se comportar os eventuais dissidentes do PMDB."
Alguns senadores peemedebistas, cujos mandatos terminam em 2015, têm histórico de atuação independente dentro da Casa, como Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS), que, atualmente, têm posição crítica ao Palácio do Planalto.
Mas Queiroz aposta que a decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre fidelidade partidária, que determina que os mandatos pertencem às legendas e não aos parlamentares, pode levar "maior coesão partidária" à futura legislatura.
PRIORIDADES E RADICALISMO
Outro desafio elencado pelos analistas é a escolha, já de cara, de temas prioritários para que o Brasil mantenha um patamar de crescimento econômico superior à média mundial.
"O fato de quase ninguém saber como Dilma conduzirá o governo, caso eleita, nos coloca diante de um dilema sobre suas condições de priorizar a pauta sobre o processo de reformas estruturais necessárias e sobre a manutenção da política econômica", disse Cortez.
Embora a bancada governista no Senado possa vir a ter ampla maioria, os analistas descartam eventuais radicalismos, mesmo que alguns setores dessa base estejam mais inclinados para o lado mais à esquerda do PT.
"Acredito que a base do futuro governo não será uma das mais radicais. A agenda [radical] pode até aparecer, mas não acho que venha a ter força suficiente para prevalecer", disse Ricardo Ribeiro.
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