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03/09/2010 - 11h55

PF começa perícia em computador da Receita usado por servidoras de Mauá (SP)

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LEONARDO SOUZA
DE BRASÍLIA

A Polícia Federal começou a periciar ontem o computador da Receita Federal usado por duas servidoras do fisco em Mauá (SP) para violar o sigilo fiscal de cinco pessoas ligadas ao candidato José Serra (PSDB).

Conforme a Folha.com revelou ontem, a 12ª Vara Federal do Distrito Federal autorizou a PF a abrir o disco rígido da máquina e extrair todos os dados nele contidos. A estação de trabalho estava sob a responsabilidade da funcionária do Serpro cedida ao fisco Adeildda Ferreira dos Santos, mas a senha utilizada para as consultas era de Antonia Aparecida Neves Silva.

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Além da análise do HD, a PF e o Ministério Público Federal também solicitaram à Justiça a quebra dos sigilos telefônico e bancário de Adeildda, mas a autorização ainda não foi concedida.

Com essas medidas, os policiais encarregados do caso esperam rastrear todos os contatos da funcionária do Serpro. Segundo a Folha apurou, a principal linha de investigação da PF é a de venda de dados fiscais na agência de Mauá.

Os policiais não descartam, contudo, a utilização política dessas informações. Conforme a Folha revelou em junho, cinco declarações de Imposto de Renda do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, circularam entre pessoas ligadas ao chamado 'grupo de inteligência' da pré-campanha de Dilma Rousseff.

A candidata petista nega qualquer envolvimento do partido com o caso.

A PF já ouviu até agora 12 pessoas no inquérito, mas a Folha não obteve seus nomes.

Ontem à tarde, o presidente Lula determinou que a Polícia Federal assuma a "totalidade" da investigação sobre o escândalo na Receita Federal. O pedido chegou ao diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, e ao ministro Luiz Paulo Barreto (Justiça). Na prática, a investigação não muda em nada, já que a PF tinha aberto, desde junho, um inquérito na superintendência de Brasília para apurar a quebra de sigilo bancário e fiscal do vice-presidente do PSDB.

Segundo a informação do governo, esta investigação, que será mantida, vai ser ampliada. "O presidente pediu que a polícia assuma todo o caso de maneira célere, punindo todos os que têm envolvimento direto com o caso, e que dê uma resposta rápida ao governo e ao Brasil sobre os crimes ocorridos", disse o ministro da Justiça.

Em nota divulgada ontem, o Ministério Público Federal afirmou que não vai descartar nenhuma linha de investigação e que, no devido tempo, vai denunciar todos os eventuais culpados no episódio.

Editoria de Arte/Folhapress
 

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