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03/09/2010 - 14h13

Polícia Civil de SP entra no caso de Veronica Serra para apurar crimes de falsidade

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MARIO CESAR CARVALHO
DE SÃO PAULO

A Polícia Civil de São Paulo instaurou um inquérito para apurar os crimes de falsidade ideológica e falsidade documental na quebra do sigilo fiscal da empresária Veronica Serra, filha do candidato à Presidência José Serra. A ordem para a abertura do inquérito foi dada pelo secretário de Segurança, Antonio Ferreira Pinto.

A PF em Brasília já apura os eventuais crimes cometidos no âmbito federal, envolvendo a Receita Federal.

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O inquérito aberto em São Paulo, por um governo tucano, é uma forma de pressionar politicamente a PF a acelerar a apuração sobre a quebra de sigilo.

A Polícia Civil vai investigar o contador Antônio Carlos Atella Ferreira, que assina a procuração que foi usada para obter cópias de declaração de renda da filha de Serra.

Há pelo menos seis itens contestados na procuração. A assinatura de Veronica e o carimbo holográfico são falsos, segundo o cartório que aparece como emissor do documento.

PROCURADOR

O falso procurador da filha do presidenciável José Serra (PSDB), Antonio Carlos Atella Ferreira, presta depoimento nesta sexta-feira na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo.

A PF investiga a quebra do sigilo fiscal, pela Receita Federal, de Veronica Serra e outras quatro pessoas ligadas ao candidato tucano ao Planalto.

Atella foi intimado a depor às 7h de hoje. Ele presta depoimento desde as 10h no inquérito que corre em Brasília, apesar de dar as declarações em SP. E não está acompanhado de advogado.

A Receita confirmou que a declaração de renda de Veronica referente aos exercícios de 2007 e 2009 foi acessada em 30 de setembro do ano passado na delegacia do fisco em Santo André (SP). O documento falso solicitando os dados foi entregue por Atella, que se apresentou como procurador da filha de Serra --o que não é verdade.

Ontem à tarde, o presidente Lula determinou que a Polícia Federal assuma a "totalidade" da investigação sobre o escândalo na Receita Federal. O pedido chegou ao diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, e ao ministro Luiz Paulo Barreto (Justiça). Na prática, a investigação não muda em nada, já que a PF tinha aberto, desde junho, um inquérito na superintendência de Brasília para apurar a quebra de sigilo bancário e fiscal do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge.

Segundo a informação do governo, esta investigação, que será mantida, vai ser ampliada. "O presidente pediu que a polícia assuma todo o caso de maneira célere, punindo todos os que têm envolvimento direto com o caso, e que dê uma resposta rápida ao governo e ao Brasil sobre os crimes ocorridos", disse o ministro da Justiça.

Em nota divulgada ontem, o Ministério Público Federal afirmou que não vai descartar nenhuma linha de investigação e que, no devido tempo, vai denunciar todos os eventuais culpados no episódio.

Editoria de Arte/Folhapress
 

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