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09/09/2010 - 15h40

Office boy confirma relação com contador, mas nega participação em quebra de sigilo

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ROGÉRIO PAGNAN
DE SÃO PAULO

O office boy Ademir Estevam Cabral, 51, confirmou nesta quinta-feira em depoimento à Polícia Civil de São Paulo que já trabalhou com o contador Antonio Carlos Atella Ferreira, mas negou participação na quebra do sigilo fiscal de Veronica Allende Serra, filha do presidenciável José Serra (PSDB).

O interrogatório de Cabral ocorreu na Delegacia Seccional de Santo André (ABC paulista). Policiais ouvidos pela reportagem disseram que ele se apresentou sem advogado.

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Cabral é investigado pela Polícia Civil por ter sido acusado pelo contador como a pessoa que lhe entregou uma procuração falsa para retirar da Receita Federal os dados fiscais de Veronica Serra.

O office boy disse à polícia que Atella mente ao dizer que foi ele quem encomendou os dados da empresária.

O contador deve prestar depoimento amanhã sobre o caso.

A Receita confirmou que a declaração de renda de Veronica referente aos exercícios de 2007 e 2009 foi acessada em 30 de setembro do ano passado na delegacia do fisco em Santo André (SP).

Em entrevista à Folha, a analista tributária Lúcia de Fátima Milan admitiu ter acessado a declaração de renda, mas a pedido da própria Veronica e com uma procuração registrada em cartório. Ao analisar o documento, Veronica viu que não era sua a assinatura.

A procuração com a assinatura "falsificada" deu autoridade a Atella para pedir a cópia das declarações de Veronica de 2008 e 2009.

Atella teve quatro CPFs cancelados por multiplicidade --usados ao mesmo tempo-- nos últimos anos. Os CPFs haviam sido emitidos em estados diferentes --além de dois em São Paulo, tinha um em Rondônia e outro no Paraná.

Ele também tem 27 cheques sem fundo registrados e dois protestos em cartório contra ele. De acordo com investigadores, são indícios característicos de um estelionatário.

Qualquer contribuinte pode exigir uma cópia da declaração e o serviço custa R$ 10.

Outras quatro pessoas ligadas a Serra tiveram seus sigilos violados na região, entre eles o vice-presidente do partido, Eduardo Jorge Caldas Pereira.

 

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