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Dilma diz que não mudou de ideia sobre aborto
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ANA FLOR
BERNARDO MELLO FRANCO
DOS ENVIADOS AO RIO DE JANEIRO
A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, repetiu ontem que não mudou suas posições em relação ao aborto e disse "lamentar'' comentário da candidata Marina Silva (PV), de que tivesse, por motivos eleitorais, adotado posição conservadora.
"Eu lamento que a Marina faça avaliações a respeito das minhas convicções", disse Dilma, completando que ser contra o aborto é uma "posição pessoal'' sua.
Em sabatina à Folha em 2007, no entanto, Dilma disse: "Acho que tem de haver descriminalização do aborto. Não é uma questão de foro íntimo, não."
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Dilma disse ser "pessoalmente contra" o aborto. "Nunca escondi que acho que a questão do tratamento das mulheres, principalmente das milhares de mulheres pobres que recorrem ao aborto, não é uma questão de polícia, é de saúde pública''.
Questionada se, caso eleita, poderia enviar ao Congresso uma proposta que flexibilizasse ou descriminalizasse a questão, negou. "Eu não enviarei ao Congresso Nacional nenhuma medida para alterar legislação nenhuma [sobre o aborto].''
Dilma se disse, ainda, contra um plebiscito sobre o assunto, porque em outros países esse tipo de consulta já causou "animosidade entre irmão''. O plebiscito é uma proposta de Marina.
Dilma voltou ao tema um dia depois do encontro com líderes religiosos para neutralizar uma campanha na internet vinculando a candidata à questão do aborto.
O bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, também divulgou carta aos fiéis condenando rumores de que é contra Dilma por questões religiosas.
Marina também voltou ao assunto ontem para dizer que sua campanha não tem ligação com a onda de boatos sobre a fé da petista. "Temos maturidade política para fazer deste processo uma guerra santa", afirmou.
O peso do voto religioso pode ser medido por pesquisa feita pelo Datafolha em 30 de junho e 1º de julho.
Nesse levantamento, 62% dos entrevistados disseram ser católicos, 25% declararam ser evangélicos --dos quais 18% são pentecostais e 7% são não pentecostais--, 3% são espíritas. Apenas 7% disseram não ter religião.
EDIR MACEDO
Desde 1997, Macedo defende publicamente a legalização do aborto. Macedo aparece em vídeos que circulam na internet defendendo o tema.
"Eu adoro falar sobre aborto e planejamento familiar. Não é para contrariar a Igreja Católica, mas para ajudar as pessoas", diz Macedo em uma palestra, que aconteceu no dia 25 de maio do ano passado, organizada pela Associação Cristã de Mulheres, entidade ligada a sua igreja.
"O que é melhor? Um aborto ou uma criança mendigando no lixão", completa Macedo.
Segundo ele, sua mãe abortou 16 vezes. "Minha mãe teve 33 filhos. Por causa das dificuldades, ela abortou 16, sobraram 17, morreram 10 e sobraram 7."
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