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Jornalista de Goiás denuncia censura em TV pública
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ESTELITA HASS CARAZZAI
DE SÃO PAULO
Atualizado às 19h36.
O jornalista Paulo Beringhs, apresentador de um programa noticioso na TV Brasil Central --mantida pelo governo de Goiás--, declarou que estava sendo censurado pelo governador Alcides Rodrigues (PP). A declaração foi feita ao vivo, durante a transmissão do Jornal "Brasil Central", na noite de quarta-feira (20).
"Estamos sendo censurados. Estamos sob intervenção", disse o jornalista.
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Beringhs se referia ao veto à entrevista com o senador e candidato ao governo de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) --adversário político de Rodrigues. Perillo disputa o segundo turno com Iris Rezende (PMDB), que tem o apoio do governador e que não compareceu ao programa para a entrevista.
"Iris não veio, Marconi Perillo viria hoje [quinta-feira, dia 21], só que eu recebi ordens de não trazer Marconi Perillo ao programa", disse o jornalista no ar, durante o programa noticioso.
Ainda no programa, Beringhs também declarou que o grupo de Iris Rezende "tem tradição em censurar a imprensa", embora afirmasse que o jornalismo da TV Brasil Central tinha liberdade até então.
O jornalista ainda fez referências a Jorcelino Braga (PP), ex-secretário da Fazenda de Alcides Rodrigues e que atualmente integra o marketing da campanha de Rezende, sugerindo que ele teve participação na ordem de censurar a entrevista.
Beringhs também anunciou a presença de outro jornalista na bancada do programa e disse que ele estava lá para substituí-lo a partir do dia seguinte --o que é negado pelo colega. "Você sabe exatamente o que aconteceu. Garanta o seu emprego, que eu garanto minha dignidade", disse Beringhs.
OUTRO LADO
O presidente da Agecom (Agência Goiana de Comunicação), Marcus Vinícius de Faria Felipe, que é responsável pela TV Brasil Central, do governo do Estado, nega que tenha havido censura.
Segundo ele, a entrevista com o candidato tucano não chegou a ser desmarcada, e não houve ordens para que fosse.
"Não há censura à participação de nenhum dos candidatos; o espaço está aberto", disse. Ele afirmou que o Jornal Brasil Central já havia entrevistado Marconi Perillo na última quinta-feira (14).
Sobre as declarações de Beringhs, disse que "não sabe das razões" do apresentador para afirmar que houve censura. "Às vezes, acontece esse tipo de conflito. Não é a primeira vez que um apresentador é intempestivo no ar. Não sei das razões do Paulo", afirmou Felipe.
O diretor ressaltou que a TV quer que o jornalista continue na emissora e que ele não foi demitido. No telejornal de ontem, Beringhs afirmou: "Certamente, amanhã [hoje], já não estarei mais à frente deste programa".
Beringhs tem um contrato com a TV Brasil Central, em nome de sua empresa, para produzir o telejornal. O contrato, que prevê que ele seja o apresentador do programa, não foi rompido, de acordo com Felipe. "A gente o reconhece como um bom profissional", afirma.
Segundo Felipe, se Beringhs se afastar da apresentação do telejornal, terá sido por iniciativa própria.
O jornalista afirmou que não pretende mais comandar o programa.
FILIAÇÃO
Beringhs é filiado ao PSDB desde 2003, de acordo com registro no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
O jornalista --que, no primeiro contato com a reportagem, negou que fosse filiado a algum partido político-- disse que se filiou ao PSDB a pedido de um "amigo querido", mas que pediu desfiliação há "uns três anos".
Beringhs, que também dirigiu a TV Brasil Central entre 2000 e 2003, durante o governo de Marconi Perillo, afirmou que nunca militou no PSDB nem participou de atividades partidárias. "A relação que eu tenho com o Marconi é o que eu tenho com todos [os políticos]", disse.
Para a assessoria de Iris Rezende, que nega qualquer participação no episódio, o jornalista tentou criar um "factoide" em favor do PSDB às vésperas da eleição. As pesquisas apontam empate técnico entre os candidatos.
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