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'Clone' de Dilma, diretora da Petrobras tem cotação em alta para governo
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FABIA PRATES
PEDRO SOARES
CIRILO JUNIOR
DO RIO
Primeira mulher a ocupar uma diretoria da Petrobras, a engenheira química Graça Silva Foster, 56, é nome certo para assumir um cargo no primeiro escalão do governo Dilma Rousseff (PT).
Funcionária de carreira da Petrobras, onde começou como estagiária há mais de 30 anos, ocupava cargos gerenciais na estatal antes do governo Lula, mas foi pelas mãos da então ministra de Minas e Energia que, no começo de 2003, trocou o Rio de Janeiro por Brasília e começou a alçar voos maiores na sua trajetória profissional.
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No período em que Dilma esteve no Ministério de Minas e Energia, foi secretária de Petróleo e Gás. De volta ao Rio de Janeiro, em 2005, dirigiu a Petroquisa e a BR Distribuidora antes de chegar, em setembro de 2007, ao sóbrio e desejado 23º andar do Edifício Sede da Petrobras, no centro do Rio de Janeiro, onde estão as salas dos diretores.
A mineira de Caratinga, que se define "carioca de coração", torce pelo Botafogo, adora carnaval e é fã dos Beatles, foi escudeira disciplinada e fiel de Dilma Rousseff nos oitos anos de governo Lula, segundo relato de interlocutores próximos.
Ela é cotada para a presidência da Petrobras ou para a Casa Civil. Certo é que ficará com algum posto próximo da futura presidente.
A aproximação profissional ocorreu quando Dilma era secretária de Energia do Rio Grande do Sul e ambas tratavam sobre o Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol). Logo evoluiu para uma sólida amizade _que se traduziu no engajamento de Graça na campanha de Dilma, na filiação ao PT e numa forma muito similar de fazer cobranças e lidar com subordinados.
Assim como a presidente eleita, a diretora da Petrobras tem fama de agressiva no trato com sua equipe. Quem conhece as duas de perto, diz que Graça é "clone" da presidente eleita, uma espécie de "criador e criatura".
É por causa dessa fama de difícil no trato que, nesse período de definição da equipe do futuro governo, há na Petrobras uma torcida para que seu destino seja um ministério em Brasília e não a presidência da estatal.
A resistência ao jeito de trabalho não impede um reconhecimento unânime à competência e dedicação da engenheira que não encerra o expediente antes de passar mais de 12 horas diárias na Petrobras. Não raro, leva pilhas de papel para casa e trabalha nas noites e fins de semana.
Detalhista, rigorosa, exigente, obcecada por prazos e metas, não se contenta com o relato de seus gerentes sobre o andamento dos projetos. Costuma ir, pessoalmente, vistoriar as obras --inclusive nos finais de semana_ e exigir dos responsáveis explicações, quando há sinal de problema ou atraso.
Segundo relato de um executivo que trabalhou com ela, Graça barrou todas as tentativas de ingerência política em suas decisões, "mostrando a mesma firmeza habitual".
Casada, com dois filhos e uma neta, Graça, normalmente, se atém aos assuntos da sua área e evita falar de política, mas defendeu a candidatura Dilma, publicamente, durante a comemoração do Dia da Mulher neste ano.
"O Brasil conta com mulheres talentosas na disputa do mais alto cargo do governo brasileiro. E entre elas, uma é certamente a mais talentosa do que qualquer outra que esteja concorrendo", disse, em evento organizado pela BR Distribuidora.
LULA
Rotina desde os tempos de Brasília, as muitas horas de trabalho e as madrugadas varadas em companhia da então ministra Dilma foram ressaltadas pelo presidente Lula, em fevereiro deste ano, durante a inauguração do Gasduc 3. Trata-se de um dos muitos gasodutos concluídos sob sua gestão (4 mil km, ao todo) que ajudaram a integrar a malha de transporte de gás natural do país.
"Acho que elas (Dilma e Graça) brigavam com os namorados ou com os maridos e trabalhavam até 4h da manhã, 5h da manhã", disse o presidente num discurso elogioso à executiva para contar que Foster, a seu pedido, recusou uma proposta muito sedutora de uma multinacional para continuar servindo o governo.
"A nossa querida Graça Foster resistiu à quantidade de dinheiro que ia ganhar para dedicar um pouco da sua competência a resolver problemas crônicos deste país na questão de combustíveis. Então, é uma companheira de valor extraordinário", disse o presidente.
Designada por Dilma, Foster assumiu a diretoria de Gás e Energia num momento de crise no setor, com a falta de gás para indústrias e veículos no fim de 2007 em razão da necessidade de suprir as termelétricas. Sua missão também era reverter o prejuízo da área de gás da estatal, o que conseguiu no ano passado.
Como as termelétricas consomem gás de forma sazonal --normalmente no período seco--, a diretora de gás e energia acelerou a solução de trazer para o país terminais de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL). No início de 2009, dois terminais --um no Ceará e outro no Rio de Janeiro-- iniciaram operação. Eles evitaram, por exemplo, que houvesse interrupção de suprimento neste ano.
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