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Temer defende negociação à Câmara sem incluir comando do Senado na discussão
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GUSTAVO HENNEMANN
DE BUENOS AIRES
O vice-presidente eleito, Michel Temer (PMDB), defendeu nesta quinta-feira que seu partido e o PT negociem a presidência da Câmara dos Deputados sem vincular a decisão com o Senado.
Para Temer, os dois partidos devem replicar o acordo implementado no atual mandato, em que cada um comandou a Casa por um biênio.
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"Naquela vez [2006], nós não envolvemos o Senado [na negociação], por causa do regimento da Casa, que estabelece que a maior bancada é titular do cargo [de presidente]", disse Temer, que está em Buenos Aires para um evento parlamentar.
Neste semana, a bancada do PT na Câmara passou a pressionar o PMDB para que, no próximo mandato, o acordo inclua também um revezamento na presidência do Senado.
Segundo o candidato do PMDB à presidência da Câmara, Henrique Alves, esse é hoje o principal entrave nas negociações. Além de evocar o regimento, o deputado diz que nem ele nem Temer têm força política para convencer a bancada de senadores a ceder espaço para o PT.
Alves, no entanto, se mostrou mais flexível em relação à disputa pelo primeiro biênio do mandato na Câmara. Ambos querem começar 2011 já na presidência.
"Não há nada impositivo [da parte do PMDB], eu tanto posso convencer, como ser convencido [sobre quem começa o mandato]. Isso não é uma guerra. O importante é manter o revezamento", afirma Alves.
Para o deputado, o "confronto" com o PT não é o melhor caminho, mas seria "inevitável" caso o partido da presidente, Dilma Rousseff, resolva vincular forçosamente o revezamento na Câmara com o Senado.
MODESTO
Ao falar com a imprensa brasileira na Argentina, onde o vice-presidente do país é brigado com Cristina Kirchner, Temer disse nesta quinta que pretende ser um "vice modesto de uma presidente forte".
"Eu quero colaborar para que o governo seja forte. [A atuação como vice] vai depender muito dos chamamentos que ela [presidente] fizer. Eu não sou espaçoso, jamais vou colocar o cotovelo para ocupar espaço."
Temer disse que renunciará à presidência da Câmara no dia 15 de dezembro, dois dias antes de ser diplomado como vice-presidente.
Ele também disse que Dilma e o PT "receberam bem" sua sugestão para que seja mantida a "mesma equação" na distribuição dos ministérios. "Se houver mudança de pasta, é correto que se dê ao partido uma outra pasta equivalente", disse.
Parlamentares petistas vêm defendendo que o partido exerça maior participação no governo de Dilma e retire ministérios.
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