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Instituto Lula planeja buscar verba no exterior
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BERNARDO MELLO FRANCO
DE SÃO PAULO
Após deixar o poder, o presidente Lula planeja pedir recursos a organismos internacionais, como o Banco Mundial, para financiar ações de seu futuro instituto na África e na América Latina.
Ele deseja envolver a ONG em grandes projetos de infraestrutura, que dependerão de ajuda externa para sair do papel. A ideia é fomentar o desenvolvimento de países pobres em setores como transporte e energia.
Mudança de Lula após 8 anos no cargo encherá 11 caminhões
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O presidente tem dito a auxiliares que o Instituto Lula não se limitará a coordenar estudos e formular políticas públicas, como se discutiu inicialmente. Isso significa que a entidade terá pouco a ver com o antigo Instituto Cidadania, que ele comandou antes de assumir o governo.
"Lula pegou gosto pelo papel de empreendedor e vai usar o instituto para dar continuidade a isso. Ele quer acompanhar obras, aproximar os governos do setor privado", conta um ministro que acompanha os debates.
No front interno, emissários do presidente já conversam com empreiteiras em busca de doações para erguer a sede da ONG, em São Paulo. Parte dessas empresas pode se beneficiar dos projetos no exterior.
Apontado como responsável por captar dinheiro, o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula, disse via assessoria que a entidade ainda "não está formalmente constituída nem tem sede alugada". Também citado, o ex-ministro Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento), copresidente da Brasil Foods, não quis falar.
Segundo aliados, Lula já descartou a primeira opção de sede que lhe foi oferecida, um prédio próximo ao Ibirapuera, e busca em sigilo um terreno para construir.
Em público, o presidente não faz referência a planos que envolvam grandes obras ou financiamento internacional. Só afirma que vai exportar experiências bem-sucedidas na área social e "andar muito pelo Brasil".
Ele tem dividido seus projetos em três frentes: ajudar países pobres, acelerar a integração da América Latina e auxiliar a sucessora, Dilma Rousseff, a aprovar a prometida reforma política.
A atuação diplomática deve ser conduzida pelo instituto. Após ensaiar uma candidatura à Secretaria-Geral das Nações Unidas, Lula adotou o discurso de que o cargo seria destinado a "burocratas", e não a ex-chefes de Estado.
No entanto, assessores admitem que ele pode ser "convencido" a aceitar a chefia temporária da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), vaga após a morte do ex-presidente argentino Néstor Kirchner, em outubro.
Sobre a atuação no país, Lula insiste no lema de "rei morto, rei posto", mas amigos duvidam. "Ele deve fazer as coisas na moita, para não parecer que está atravessando a Dilma. Mas não vai se aguentar muito tempo, não", aposta um colaborador.
Colaboraram ANDREA MICHAEL e DANIELA LIMA, de São Paulo
| Editoria de Arte/Folhapress | ||
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