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Suplicy diz que Battisti reclamou da decisão do STF de mantê-lo preso
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GABRIELA GUERREIRO
DE BRASÍLIA
O italiano Cesare Battisti reclamou nesta segunda-feira da decisão do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Cezar Peluso, de mantê-lo preso depois que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou sua extradição para a Itália.
Em conversa no presídio da Papuda (DF) com o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que foi visitá-lo esta tarde, Battisti disse não entender como a decisão de Lula ainda não foi cumprida pelo tribunal.
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"Ele não compreende porque ainda não ganhou a liberdade. Fez um paralelo lembrando que o presidente Nicolas Sarkozy [França], quando decidiu não extraditar a Marina Petrella [ex-ativista italiana], meia hora depois ela estava livre. Mas ele não", relatou Suplicy.
O petista, que é um dos maiores defensores de Battisti, disse que é uma "afronta ao Estado de Direito" o Supremo negar liberdade ao italiano.
"Um ministro não pode, por vontade própria, negar o que foi decidido pelo presidente. Negar isso é uma afronta ao Estado de Direito do Brasil."
Peluso decidiu na semana passada manter preso o italiano e contestou os argumentos usados pelo ex-presidente Lula para negar sua extradição. Peluso avaliou pedido da defesa do terrorista, que havia solicitado sua soltura imediata logo depois da divulgação do parecer de Lula --favorável à concessão da condição de imigrante para o italiano.
O ministro mandou o processo para o gabinete do relator, Gilmar Mendes, que só deverá analisar o caso após o fim do recesso do Judiciário, a partir de fevereiro.
SAÚDE
O senador disse que Battisti está bem de saúde, com "esperança" de que a decisão de Lula seja respeitada. Suplicy disse que não conversou com o ex-ativista italiano sobre o seu futuro no Brasil --caso o STF conceda sua liberdade.
"Ele não me relatou, mas o que sei é que vai continuar a escrever. Ele já vinha publicando livros antes."
Suplicy disse que Battisti tem hoje uma namorada brasileira, a quem conheceu na Papuda. O italiano está preso na penitenciária do DF desde 2007.
O encontro de Suplicy com Battisti durou cerca de uma hora, em local reservado para visitas. Segundo o senador, o italiano disse estar ansioso pela sua liberdade para rebater publicamente as acusações de quatro assassinatos que teria cometido na Itália em meio à luta política.
"Hoje ele repetiu que nunca um juiz ou uma autoridade policial o ouviu sobre esses assassinatos, pelos quais foi condenado à prisão perpétua. Ele nunca teve a oportunidade de se defender adequadamente", afirmou Suplicy.
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