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Pedro Simon admite abdicar de aposentadoria especial no RS
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GRACILIANO ROCHA
DE PORTO ALEGRE
GABRIELA GUERREIRO
DE BRASÍLIA
O senador Pedro Simon (PMDB), 80, disse em entrevista à Folha que pode voltar atrás da decisão de acumular o salário do Senado (R$ 26 mil) com a aposentadoria que começou a receber recentemente por ter governado o Rio Grande do Sul de 1987 a 1990 (R$ 24 mil).
Simon justificou o pedido de aposentadoria como ex-governador afirmando que vive numa situação financeira "muito difícil".
Após 20 anos, Simon pede aposentadoria como ex-governador gaúcho
Ele disse que fez o pedido antes de o Congresso reajustar os salários, em dezembro. "Nasci mesmo para ser franciscano", disse ele.
Folha - Por que o sr. decidiu só agora requerer a aposentadoria de ex-governador?
Pedro Simon - Sempre fui contra e nunca recebi a verba indenizatória [subsídio para custear despesas com o exercício da atividade parlamentar]. Acho que o salário do senador tem que ser claro. No início, era uma coisa pequena [a verba indenizatória], mas, antes desse último aumento, era maior que o salário, era salário disfarçado.
O salário de senador não era suficiente para mantê-lo?
Eu estava ficando numa situação muito difícil. Eu vivo de salário, não tenho nem casa própria. Tenho um guri de 16 anos, uma guriazinha que eu adotei. Estava ganhando líquido menos de R$ 10 mil.
Como senador, tinha que pagar uma verba "x" para poder me aposentar [previdência privada] com aposentadoria integral. Nos últimos 16 anos, não estou pagando porque não tenho dinheiro.
Estão falando que, quando me aposentar no Senado, vou receber a metade do que ganha um senador. Fiquei com essa que, morrendo, garantiria a aposentadoria de governador, que é maior do que a metade do Senado [...] Coincidiu que fiz isso [pedir a pensão] em novembro. Em dezembro, aumentaram o salário [...] Misturou uma coisa com a outra, o que me deixou meio sem graça.
Mas esse aumento elevou o salário de senador para mais de R$ 26 mil. Isso muda algo?
Quando chegar em Brasília, em março, eu vou parar para pensar e ver como é que eu vou fazer.
A OAB tem questionado a constitucionalidade das leis estaduais que criam essas aposentadorias e quer extingui-las. O que acha disso?
A OAB faz bem e acho que ela vai ganhar. Não fico chateado e estará resolvido o assunto. Nasci mesmo para ser franciscano.
A aposentadoria de ex-governador é vista como privilégio em um país que a maioria tem aposentadoria modesta.
Tanto isso é correto que tenho um projeto de lei que já está há muito tempo no Senado que o parlamentar não pode ganhar mais que 15 vezes o salário mínimo.
Quando estava defendendo esse projeto, me chamaram de demagogo e me perguntaram como é que um senador iria viver com 15 salários mínimos.
Era uma pergunta importante que suscitava outra: como é que um cidadão vive com um salário mínimo?
| Editoria de Arte/Folhapress | ||
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