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Testemunhei suborno no Amapá, diz ex-secretária
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KÁTIA BRASIL
DE MANAUS
Uma ex-secretária da emissora de TV da família do senador Gilvam Borges (PMDB-AP) disse ontem à Folha que duas testemunhas do processo que resultou na cassação de João e Janete Capiberibe (PSB) haviam recebido a promessa de que, "enquanto o senador Gilvam tivesse mandato, elas seriam ajudadas".
Os testemunhos de Maria de Nazaré Oliveira e Rosa Saraiva dos Santos, que disseram ter vendido seus votos ao casal Capiberibe nas eleições de 2002, levaram o Tribunal Superior Eleitoral a cassar, em 2005 e 2006, os mandatos de João e Janete Capiberibe no Senado e na Câmara, respectivamente.
Com a cassação, Gilvam conseguiu uma cadeira no Senado. Neste ano e em 2010, três ex-funcionários de emissoras de rádio e TV da família do peemedebista disseram ao Ministério Público Federal do Amapá que o político comprou as testemunhas contra Capiberibe.
"Essa transação toda eu acompanhei desde o começo", disse à Folha a ex-secretária Veranilda Araújo Rodrigues, 45. Segundo ela, o empresário Geovane Borges, que dirige a TV Tucuju e é irmão do senador, foi peça-chave na suposta proposta feita às testemunhas.
Veranilda disse que trabalhou para a família Borges por mais de 20 anos e foi demitida em 2009, em um corte promovido na empresa.
A ex-secretária disse que as testemunhas foram escolhidas porque eram humildes. "Elas não tinham nada", disse. "Nunca pegaram em dinheiro e veio uma proposta", afirmou Veranilda.
"Eles [Gilvam e Geovane] diziam a elas que iam ajudar. Enquanto o senador Gilvam tivesse mandato, elas seriam ajudadas", afirmou.
COMPRA DE CASAS
A ex-secretária disse que, após as eleições de 2002, foi incumbida de comprar casas para as duas testemunhas. "Geovane chamou eu e o Roberval [cinegrafista que também disse ter participado da suposta compra de testemunhas] para comprar uma casa para cada uma delas. Nós assinamos os recibos, mas eles ficaram com o Geovane. As casas receberam mobília e eletrodomésticos."
Veranilda disse que as testemunhas e suas famílias ficaram sob a guarda dos irmãos Borges. "Eles ficaram mantendo essas pessoas por muito tempo. Elas foram para Porto Grande, depois para Serra do Navio [cidades do interior do Amapá]. Eles se responsabilizaram por tudo, alimentação e transporte."
Veranilda disse que só resolveu falar sobre o caso agora porque não tinha consciência do que estava fazendo. "Depois fui vendo que era uma sujeira. A ficha caiu."
Em 2010, o casal Capiberibe se elegeu novamente, mas foi enquadrado na Lei da Ficha Limpa. Gilvam, com isso, continuou no Senado.
O Ministério Público Federal abriu procedimento administrativo para investigar crime de falso testemunho contra Maria e Rosa.
OUTRO LADO
Gilvam Borges e o empresário Geovane Borges, seu irmão, não atenderam ontem às solicitações da reportagem para entrevistas sobre as declarações da ex-funcionária Veranilda Rodrigues.
Em outras ocasiões, Gilvam negou ter comprado testemunhas e chamou o cinegrafista Roberval Araújo --o primeiro ex-funcionário a prestar depoimento sobre a suposta compra de testemunhas- de "bandido" e de fazer "armações escusas".
A reportagem procurou Geovane Borges na TV Tucuju, mas recebeu a informação de que ele estava em reunião.
A assessoria de Gilvam recebeu ligações e e-mail da Folha com perguntas do caso. Não houve resposta.
| Editoria de Arte/Folhapress | ||
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