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Ex-ministros de Lula ainda mantêm cargos em estatais
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SILVIO NAVARRO
BERNARDO MELLO FRANCO
DE SÃO PAULO
Mesmo fora do governo, os ex-ministros Celso Amorim (Relações Exteriores) e Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência) continuam a receber salário para integrar conselhos de estatais.
Eles deixaram a Esplanada em 1º de janeiro, após oito anos no primeiro escalão do governo Lula. No entanto, ainda ocupam vagas nos conselhos de administração da Itaipu Binacional e da Eletrobras, respectivamente.
Os dois afirmaram à Folha não ver conflito ético na prática, mas disseram que os cargos estão à disposição do governo Dilma Rousseff.
Além da aposentadoria como ministro de primeira classe do Itamaraty, Amorim recebe, fora do poder, um dos maiores salários pagos em conselhos de estatais federais: R$ 13.100 por mês.
Filiado ao PT fluminense, ele tem mandato na estatal até maio de 2012. Para mantê-lo, basta comparecer a encontros bimestrais.
O conselho se reuniu uma vez este ano, com a presença do ex-ministro. Procurado, Amorim disse ter ficado na vaga a pedido do sucessor, ministro Antonio Patriota.
"Absolutamente não é uma sinecura. Eu não pedi nada", afirmou o ex-chanceler. "O ministro Patriota pediu que eu ficasse, mas não sei se vou ficar muito tempo. Tenho muitas ocupações."
Amorim ocupa uma vaga de livre indicação no conselho em Itaipu. O assento reservado ao Ministério das Relações Exteriores é ocupado pelo embaixador Antonio José Ferreira Simões.
Convidado por Lula para dirigir seu futuro instituto, Dulci recebe R$ 4.300 por mês, mais 13º salário, como conselheiro da Eletrobras.
O petista mineiro disse ter posto o cargo à disposição do sucessor, Gilberto Carvalho, no início do ano. "Fui indicado porque era ministro e não pretendo continuar."
O conselho da estatal do setor elétrico é eleito anualmente, no fim de abril.
Também ex-ministro de Lula, Carlos Eduardo Esteves Lima recebe R$ 5.400 do conselho fiscal do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Ele chefiou a Casa Civil no fim de 2010, após a queda de Erenice Guerra, e agora permanece no governo como assessor especial do órgão. Procurado, não ligou de volta.
Alvo de cobiça em Brasília, as vagas em conselhos de estatais funcionam, na maioria das vezes, como complemento salarial. A função dos órgãos é auxiliar a gestão das empresas, aprovar orçamentos e definir normas internas.
Os conselheiros têm mandato de um a quatro anos, mas podem ser substituídos a qualquer momento pelo Palácio do Planalto.
| Editoria de Arte/Folhapress | ||
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