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23/03/2011 - 16h04

Conselho de Ética abre processo contra Jaqueline Roriz

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MARIA CLARA CABRAL
DE BRASÍLIA

Atualizado às 17h06.

O Conselho de Ética da Câmara instaurou nesta quarta-feira processo de cassação contra a deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), filmada recebendo dinheiro de Durval Barbosa, delator do mensalão do DEM.

Durante a sessão, Sílvio Costa (PTB-PE) criou polêmica ao dizer que seria "injusto cassar a deputada apenas pelo caixa dois", já que recursos não contabilizados em campanha existem em todo o país, e que "juridicamente ela não poderia perder o mandato".

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Costa explicou que tanto o regimento quanto a Constituição falam de decoro parlamentar. E como ela não era deputada na ocasião da filmagem, não poderia ser cassada. O vídeo é de 2006, época em que fazia campanha para ser deputada distrital.

"Mas quero dizer que a decisão aqui é política e é bom que seja assim. Temos que ter a sinergia com a opinião pública, por isso, se eu puder votar, votarei pela cassação", disse.

Sobre o uso de caixa dois, Costa disse que a deputada teria que ser cassada pelo conjunto da obra, que é toda a "sujeira que acontece aqui em Brasília delatada por Barbosa".

"Não estou acusando nem defendendo o caixa dois, mas não dá para ser hipócrita. Infelizmente o caixa dois existe em todo o Brasil. Se me perguntarem se eu faço direi que não, mas sabemos que existe", disse.

Costa sugeriu ainda que o ex-governador José Roberto Arruda, assim como todos os "tubarões" deveriam ser ouvidos. Segundo ele, "Jaqueline é apenas uma sardinha no meio de tubarões".

Na semana passada, Arruda deu uma entrevista à revista "Veja" citando os democratas Rodrigo Maia (RJ) e ACM Neto (BA).

Todos os outros deputados que se manifestaram na reunião de hoje defenderam o julgamento da deputada. O relator do caso, Carlos Sampaio (PSDB-SP), além de julgar o mérito das denúncias, fará uma análise preliminar sobre a a possibilidade de se analisar fatos ocorridos antes do mandato. Ele ressaltou que há precedentes que permitem a retroatividade.

Sampaio praticamente descartou a possibilidade de ouvir outros deputados citados por Arruda, ao dizer que o Conselho não poderia ser transformado em um palco circense.

 

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