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Pará lidera assassinatos em conflitos no campo, segundo CPT
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FELIPE LUCHETE
DE BELÉM
Atualizado às 20h28.
Trinta e quatro pessoas foram assassinadas no ano passado em consequência de conflitos no campo, aponta relatório da Comissão Pastoral da Terra divulgado hoje. Dessas mortes, 18 foram no Pará.
A comissão, ligada à Igreja Católica, divulga o levantamento anualmente. Os números de 2010 interrompem tendência de queda que ocorria desde 2007. Em 2009, haviam ocorrido 26 mortes em todo o país.
O Pará teve o dobro de assassinatos em relação a 2009. Só na cidade de Pacajá, foram oito entre os dias 17 e 18 de setembro.
O conflito ocorreu por desavenças entre trabalhadores _moradores do assentamento Cururuí e famílias que viviam irregularmente no local. Para a CPT, a tensão foi motivada por madeireiros que exploravam a região.
O advogado da CPT de Marabá, José Batista Afonso, diz que recentes ações do agronegócio, de grandes empresas e do governo federal no Estado intensificaram a chegada migrantes e a atuação de grupos violentos.
Para o presidente da ONG Sociedade Paraense de Direitos Humanos, Marco Apolo Leão, a violência não se concentra mais nas regiões sul e sudeste do Estado, onde ocorreu há 15 anos o massacre de Eldorado do Carajás.
Leão diz que os conflitos estão generalizados e são resultado de uma estrutura fundiária que não se renova.
As mortes foram registradas em 12 Estados, 11 deles nas regiões Norte e Nordeste. Rio de Janeiro completa a lista, com a morte de um pescador que, segundo a CPT, havia denunciado um projeto de transporte de gás que afeta a subsistência de uma comunidade.
No Maranhão, entra na conta a morte de um homem registrado pela polícia como vítima de infarto. A comissão diz que o corpo tinha perfuração e que o hospital nem emitiu atestado de óbito.
O relatório registrou 1.186 conflitos nos campos do país, dois a mais do que em 2009. No Nordeste, o número saltou de 320 para 440, com aumento de casos na Bahia e no Maranhão. Também houve aumento em Minas.
Além das mortes, a CPT calcula que houve 55 tentativas de assassinato e 125 pessoas receberam ameaças de morte. Quatro foram torturadas. O levantamento aponta que 20 Estados tiveram registros de trabalho escravo.
A Folha procurou o Ministério da Justiça e o Desenvolvimento Agrário para comentar os dados, mas eles não se manifestaram até o fechamento desta edição.
Colaborou JEAN-PHILIP STRUCK, de São Paulo
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