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Requião afirma que tomou gravador porque sofreu 'bullying'
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GABRIELA GUERREIRO
DE BRASÍLIA
Um dia depois de retirar o gravador de um repórter, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) subiu à tribuna do Senado para justificar o gesto ao afirmar que reagiu a uma tentativa do jornalista de acuá-lo com perguntas agressivas.
Com diversas críticas à imprensa, Requião disse que ficou com o aparelho para evitar que sua entrevista fosse editada de forma a "desmoralizar um parlamentar sério".
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Irritado com pergunta, Requião arranca gravador de jornalista
| Alan Marques - 06.abr.2011/Folhapress |
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| Requião afirma que tomou gravador porque sofreu 'bullying' |
Segundo o senador, o repórter da Rádio Bandeirantes tentou lhe aplicar uma "armadilha" com "perguntas encomendadas", numa atitude de "bullying" que marca parte da imprensa brasileira.
"Temos que acabar com o abuso, o bullying que sofremos nas mãos de uma imprensa às vezes provocadora e muitas vezes irresponsável", disse.
Requião afirmou, sem citar nominalmente veículos de comunicação, que a imprensa se acostumou a "plantar ruídos que se afastam completamente da verdadeira natureza dos fatos". Sobre a retirada do gravador, disse que "há momentos em que a indignação é uma virtude".
Sem se mostrar arrependido pelo gesto, Requião disse que ontem "perdeu a paciência" com o repórter. "Talvez não devesse, mas perdi."
O senador afirmou que vai reapresentar no Senado o projeto que regulamenta o direito de resposta na imprensa para garantir espaço às "partes lesadas" na mídia.
Requião já havia apresentado a matéria em sua passagem anterior pela Casa, mas o texto acabou arquivado pela Câmara.
"A falta de um instrumento como esse tem me deixado, e a tantos brasileiros, impossibilitado de defesa quando vítima de informações não verdadeiras."
APOSENTADORIA
No discurso, Requião falou sobre a aposentadoria de R$ 24 mil que recebe como ex-governador do Paraná --tema da pergunta do repórter Victor Boyadjian, da Rádio Bandeirantes, que provocou a irritação do senador.
O peemedebista disse que decidiu solicitar a pensão por viver um momento de dificuldade financeira na família, depois de receber cobranças de dívidas judiciais.
Ele ainda reclamou do valor do salário dos parlamentares, fixado em R$ 26,7 mil. "O salário de um senador é inferior a de um servidor estatutário. É inferior ao de milhares de juízes. O senador Simon foi constrangido por receber R$ 11 mil por mês [de pensão], enquanto funcionários do seu gabinete recebem três vezes isto. Se recebi, recebi porque achei que não era imoral."
Requião disse que, antes de receber a pensão, era o único ex-governador do Estado sem ter direito ao benefício.
"Todos recebem, a única exceção chamava-se Roberto Requião. Como vim ao Senado, abri mão dela por 16 anos. Quando saí do governo, cheguei à situação em que tinha dificuldade de receita pessoal para os gastos familiares comuns."
O peemdebista recebeu a solidariedade do senador Edison Lobão Filho (PMDB-MA) que, apesar de condenar o seu gesto, disse que o ato é "muito pequeno para se contrapor à sua história de vida". Já o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) exaltou a biografia do senador, mas disse que é um "direito" do jornalista questioná-lo sobre um tema ligado à sua vida pública.
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