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Presidente de entidade gay diz que Dilma pode ter visto kit falso
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ANA CAROLINA MORENO
DE SÃO PAULO
O presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), Toni Reis, divulgou uma nota à imprensa na noite desta quarta-feira afirmando que o veto à distribuição do "kit de combate à homofobia nas escolas" pela presidente Dilma Rousseff pode ter sido decidido por engano.
O assessor especial do ministro Fernando Haddad (Educação), Nunzio Briguglio Filho, afirmou, porém, que "é improvável" que tenha havido uma troca no material encaminhado à presidente.
"Eu mesmo mandei o material para ela. O MEC enviou o material ontem [terça-feira] antes do meio-dia, se ela viu ontem ou hoje [quarta-feira] eu não sei", disse.
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Segundo Nunzio, Dilma solicitou o material na manhã da terça-feira (24) e o MEC enviou dois DVDs contendo os três vídeos, além de uma cópia em PDF da publicação que acompanha os filmes. O conteúdo desse material já está pronto e editorializado, mas ainda não havia sido enviado ao Comitê de Publicações do MEC, que dá o aval para sua impressão e distribuição.
Ainda de acordo com o assessor, uma reunião entre a presidente, Haddad e a ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direito Humanos, será realizada nesta quinta-feira para tratar do assunto.
SUSPEITA
Toni Reis afirma que a suspeita foi levantada após a divulgação de nota oficial divulgada pela AGBLT criticando a suspensão da produção do kit.
"A Secretaria Geral da República me ligou logo após a divulgação da nossa nota nos convocando para uma reunião em Brasília. Falaram que Dilma viu um material com a logomarca do governo, mas o demonstrativo do kit não tinha logomarca porque ainda não tinha sido aprovado", afirmou Reis à Folha.
Segundo ele, a reunião para esclarecimento dos fatos foi pré-agendada para as 17h da próxima terça-feira (1º). Antes disso, às 15h30, o movimento pelos direitos dos homossexuais participa de uma sessão no Senado.
Reis não soube dizer exatamente o que foi apresentado à presidente. O material produzido e que integraria o tal kit faz parte do Programa Brasil sem Homofobia. O presidente da ABGLT afirma que nenhum dos três vídeos possui cenas de sexo explícito e que todos foram enquadrados na classificação livre para todas as idades.
"Não tem nem beijo no vídeo, o material é muito ingênuo e foi produzido com muito cuidado, passou por muitas mãos, foi aprovado inclusive pela Unesco", disse Reis. "Acho que está havendo uma grande distorção. É uma situação muito triste a gente perceber que a política tem dessas coisas", concluiu.
Procurada pela reportagem, a assessoria da Secretaria Geral da República não foi localizada para falar sobre o assunto e confirmar o telefonema.
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