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09/06/2011 - 00h17

Battisti deixa prisão em Brasília após decisão do Supremo

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FELIPE SELIGMAN
DE BRASÍLIA

Atualizado às 00h30.

O ex-ativista italiano Cesare Battisti deixou a penitenciária da Papuda às 0h05 desta quinta-feira. A liberdade aconteceu poucas horas após o STF (Supremo Tribunal Federal) validar decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não extraditá-lo.

Após decisão do STF, alvará de soltura de Cesare Battisti é expedido
Supremo valida decisão de Lula e manda soltar Battisti
Veja galeria de fotos de Cesare Battisti

Ele saiu em um carro preto na companhia do advogado Luiz Eduardo Greenhalgh. A Folha seguiu o carro até um condomínio fechado, próximo à penitenciária, chamado Solar de Brasília.

Ainda na saída do presídio, ele não disse nada à imprensa, mas abriu a janela para ser fotografado.

Alan Marques/Folhapress
O ex-ativista italiano Cesare Battisti ao deixar a penitenciária da Papuda na madrugada desta quinta-feira
O ex-ativista italiano Cesare Battisti ao deixar a penitenciária da Papuda na madrugada desta quinta-feira

O advogado de Battisti, Luís Roberto Barroso, não informou o que ele deverá fazer agora que está livre.

Em julgamento nesta quarta-feira, o plenário do STF, por 6 votos a 3, determinou a expedição de alvará de soltura. Com o resultado, Battisti ficará no Brasil e caberá ao Ministério da Justiça regularizar sua situação.

O italiano, que estava preso no Brasil desde 2007, saiu da prisão acompanhado de seus advogados e não quis falar com a imprensa.

Battisti fez parte do PAC (Proletários Armados pelo Comunismo), grupo terrorista de extrema esquerda que atuou na Itália dos anos 70, os "anos de chumbo". E foi condenado pela Justiça de seu país à prisão perpétua por participação em quatro assassinatos cometidos pelo grupo em que atuava.

Ele sempre negou a autoria dos crimes e disse que sofreu perseguição política. Seu argumento chegou a convencer o então ministro da Justiça brasileiro Tarso Genro, que concedeu a ele, no final de 2008, o status de refugiado político. Na ocasião, Tarso argumentou que existia "fundado temor de perseguição política" caso Battisti fosse enviado à Itália.

Esse ato, porém, foi considerado ilegal pelo Supremo, que em 2009 autorizou sua extradição, deixando a última palavra para o presidente da República. Dias depois, o tribunal afirmou que Lula deveria seguir o que diz o Tratado de Extradição entre Brasil e Itália.

 

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