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Veja a cronologia da crise no Ministério dos Transportes
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DA REUTERS
DE SÃO PAULO
Atualizado em 08/09/2011 às 17h47.
O Ministério dos Transportes enfrenta desde o início do mês acusações de corrupção que já provocaram a renúncia de Alfredo Nascimento do comando da pasta e o afastamento de diretores e funcionários que também estariam envolvidos nas irregularidades.
Veja o dia a dia da crise:
2 de julho
Denúncia da revista "Veja" sobre um suposto esquema de cobrança de propinas em obras federais da pasta menciona o nome de quatro pessoas, incluindo dois assessores diretos do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento. O diretor-geral do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), Luiz Antonio Pagot, e o diretor-presidente da Valec (estatal de obras ferroviárias), José Francisco das Neves, também são citados.
| Marcelo Camargo - 31.jan.2011/Folhapress |
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| Alfredo Nascimento cai após denúncias de corrupção |
Segundo a revista, o esquema seria coordenado pelo secretário-geral do PR, Valdemar Costa Neto, e renderia ao partido até 5% do valor dos contratos firmados pela pasta e sob a gestão do Dnit e da Valec. Costa Neto não tem cargo na estrutura federal.
A presidente Dilma Rousseff determina o afastamento dos dois assessores e dos dois diretores citados na reportagem. Nascimento, ainda ministro, e o PR negam as denúncias.
4 de julho
O ministério exonera Mauro Barbosa da Silva, ex-chefe de gabinete do ministro, e Luiz Tito Barbosa Bonvini, assessor do gabinete. Pagot, no entanto, não é demitido, mas tira 30 dias de férias.
O governo diz que o afastamento de Francisco das Neves será examinado pelo conselho de administração da Valec.
6 de julho
Reportagem do jornal "O Globo" revela que o patrimônio do filho do ministro, Gustavo Morais Pereira, cresceu 86.500% em dois anos. O caso é investigado pelo Ministério Público Federal do Amazonas.
Nascimento não resiste e deixa o ministério. Ao pedir demissão, afirma que encaminharia à PGR (Procuradoria-Geral da República) pedido de abertura de investigação e que autorizaria a quebra dos seus sigilos bancário e fiscal.
Paulo Sérgio Passos, até então secretário-executivo da pasta, assume o posto interinamente.
7 de julho
Em meio a negociações a respeito da substituição de Nascimento, a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, declara que o PR poderia indicar nomes. O senador Blairo Maggi (PR-MT) era o nome mais cotado pelo partido, mas recusa o convite, alegando questões legais por conta do envolvimento de suas empresas com o governo.
11 de julho
| Lula Marques - 16.jul.2011/Folhapress |
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| Dilma efetiva Paulo Sérgio Passos no ministério |
Dilma efetiva Paulo Sérgio Passos no ministério, contrariando o interesse do PR. Apesar de ser filiado à sigla, Passos não contava com o apoio dos colegas do partido.
12 de julho
Pagot vai ao Senado prestar esclarecimentos e nega a existência de esquema de propinas do PR no ministério. No dia seguinte, ele também responde a perguntas na Câmara dos Deputados.
13 de julho
Partidários do PR, descontentes com a efetivação de Passos sem consulta prévia às bancadas da Câmara e do Senado, chegaram a ensaiar uma migração para a oposição. O movimento pareceu se acalmar quando o líder da bancada na Câmara, Lincoln Portela (MG), e o deputado Luciano Castro (RR) encontraram-se com Passos para afirmar que ele conta com apoio da legenda e das bancadas.
15 de julho
Diretor-executivo do Dnit, José Henrique Sadok de Sá --que acumulou a diretoria-geral do órgão durante as férias de Pagot-- é afastado por 60 dias após o jornal "O Estado de S.Paulo" revelar que a empresa de sua mulher teria firmado contratos com o Dnit que chegariam a R$ 18 milhões. Sadok Sá, no entanto, disse que jamais fez ingerências favoráveis à mulher.
Frederico Augusto de Oliveira Dias, que, segundo a Folha mostrou, atuaria como assessor pessoal de Pagot, também foi afastado do órgão.
18 de julho
Em reunião com Dilma, ficou acertado que Passos fará uma lista com nomes técnicos para substituir os dirigentes afastados do ministério e do Dnit.
A presidente também decide afastar Hideraldo Caron, o único indicado pelo PT a um cargo de diretor no Dnit, órgão comandado pelo PR desde o governo Lula. Caron, no entanto, continua no cargo.
19 de julho
Mais dois funcionários do Dnit --incluindo um afilhado de Valdemar Costa Neto--, três do Ministério dos Transportes e uma do Fnit (Fundo Nacional de Infraestrutura de Transportes) são exonerados, segundo decisão publicada no "Diário Oficial" da União.
A Folha revelou que Milton de Britto, dono da Engenorte Construções e irmão do superintendente do Dnit em Mato Grosso, Nilton de Britto, fechou contratos de R$ 26 milhões com o órgão, nos últimos dois anos, para obras em rodovias federais que cortam o Estado. Nilton foi apadrinhado por Pagot.
20 de julho
O TCU (Tribunal de Contas da União) produziu um novo relatório em que aponta superfaturamento de mais de R$ 78 milhões em obras do Dnit, segundo informou reportagem do "Jornal Nacional", da TV Globo. Segundo o telejornal, 63 obras em rodovias brasileiras, feitas sob a responsabilidade do órgão, foram fiscalizadas pelo tribunal.
21 de julho
A CGU (Controladoria-Geral da União) instaurou mais quatro novas sindicâncias e Processos Administrativos Disciplinares para apurar irregularidades no Ministério dos Transportes, no Dnit e na Valec (estatal de obras ferroviárias). Desde o início das denúncias de corrupção nos órgãos, foram sete os processos no órgão que investigam a pasta. Uma das investigações apura denúncia a respeito de contratos da construtora da mulher de João Henrique Sadok de Sá.
A presidente Dilma Rousseff vetou a presença de Caron, o único petista na cúpula do Dnit, em reunião com o ministro Paulo Sérgio Passos sobre as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
O Ministério Público Federal no Pará entrou na Justiça com uma ação civil pública contra a União e o Dnit pelo abandono da rodovia BR-155, que liga Redenção a Marabá, no sudeste do Estado.
22 de julho
Hideraldo Caron apresentou seu pedido de exoneração ao ministro Paulo Sérgio Passos.
Em conversa com jornalistas, Dilma afirmou que 'sairão todos' no comando do Dnit e da Valec.
25 de julho
| Ednilson Aguiar - 14.dez.2008/Divulgação Secom-MT |
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| Pagot teria cobrado e obtido de um prefeito de MT uma casa em troca de obras e outros benefícios para o município |
Luiz Antonio Pagot cancelou suas férias, que deveriam durar até 4 de agosto, e solicitou sua exoneração do cargo de diretor-geral do Dnit. Apenas duas das sete diretorias do departamento mantêm seus titulares.
26 de julho
O "Diário Oficial" da União publicou a exoneração do assessor especial do ministro dos Transportes Wilson Wolter Filho. A demissão foi assinada pela ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffman.
27 de julho
Foram publicadas no "Diário Oficial" as exonerações de Luiz Antônio Pagot e Hideraldo Caron. Além disso, o diretor de Infraestrutura Ferroviária, Geraldo Lourenço de Souza Neto, que acumulava o cargo de diretor de Administração e Finanças, também anunciou sua demissão.
O superintendente do Dnit em Mato Grosso, Nilton de Britto, que foi apadrinhado por Pagot, pediu exoneração do cargo.
28 de julho
O ministro Paulo Passos exonerou na noite de quinta-feira o coordenador de Operações Rodoviárias do Dnit, Marcelino Augusto Rosa.
Rosa era servidor concursado do Dnit há 40 anos. Como responde por um processo administrativo disciplinar por suposto favorecimento de empreiteiras, está passível de demissão do órgão.
Matéria divulgada pelo jornal "O Globo" mostrou que a mulher de Rosa, Sônia Lado Duarte Rosa, representava empresas com contratos de sinalização rodoviária, área em que o servidor atuava, que ganharam milhões em aditivos.
29 de julho
O "Diário Oficial" publicou a exoneração de Maria de Fátima Gurgel Faria do cargo de assistente técnico do Departamento de Desenvolvimento e Logística, da Secretaria de Gestão dos Programas do Ministério dos Transportes.
A exoneração foi assinada pelo secretário-executivo da pasta Miguel Mário Bianco Masella. Na mesma publicação foi anunciada a nomeação de Tereza Sena Lemos para o cargo de assistente técnico.
Ao menos 28 pessoas foram demitidas ou afastadas por causa das denúncias de superfaturamento e pagamento de propina envolvendo o ministério, a Valec e o Dnit.
2 de setembro
O governo deu posse a sete novos responsáveis pela diretoria colegiada do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes), inclusive os diretores geral e executivo. Nenhum dos indicados pela presidente Dilma Rousseff é funcionário de carreira do órgão.
A posse aconteceu após os nomes serem aprovados pelo Senado.
8 de setembro
A CGU (Controladoria-Geral da União) apresentou relatório de auditoria realizada após as denúncias. O órgão constatou 66 irregularidades em 17 processos analisados no Ministério dos Transportes.
O trabalho apontou prejuízo potencial de R$ 682 milhões, em um total de R$ 5,1 bilhões fiscalizados.
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