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07/09/2011 - 12h34

Convocado pela internet, ato anticorrupção reúne centenas em SP

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DANIEL RONCAGLIA
DE SÃO PAULO

Com as caras pintadas e câmeras digitais em mãos, cerca de 500 pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar, participaram nesta quarta-feira de um protesto anticorrupção organizado pela rede social Facebook na avenida Paulista, em São Paulo.

O ato, que não teve a presença de manifestantes com bandeiras de partidos, protestou principalmente contra a classe política em geral. "Não é mole, não, no Congresso só tem político ladrão", gritaram.

Marcha anticorrupção leva milhares às ruas em Brasília
Atos anticorrupção no país testam força das redes sociais

Eduardo Anizelli/Folhapress
Manifestantes fazem protesto contra a corrupcao na avenida Paulista, em São Paulo; clique para ver mais fotos
Manifestantes fazem protesto contra a corrupcao na avenida Paulista, em São Paulo; clique para ver mais fotos

Pelo Facebook, grupos que se dizem apartidários estão organizando para hoje, feriado de 7 de Setembro, manifestações contra corrupção em cerca de 50 cidades em 19 Estados e no Distrito Federal.

Mais de 130 mil pessoas confirmaram presença pelo site, mas, segundo os próprios organizadores, o número de manifestantes nas ruas deve ser bem menor.

Na Paulista, outro ato está marcado para a tarde de hoje.

Para o analista Saulo Vieira Justo Rezende, 28, do Movimento Caras Pintadas, o saldo foi positivo. "Como foi organizado pela internet, até que foi um número bacana."

A proposta do grupo é reeditar a mobilização que pediu o impeachment do então presidente Fernando Collor, no início dos anos 90.

O grupo partiu do vão livre do Masp até a avenida da Consolação, de onde voltou para o mesmo lugar após uma hora e meia de caminhada. Ao final, cantaram o Hino Nacional.

Escoltados por 30 motoqueiros com motocicletas Harley-Davidson, os manifestantes ficaram toda a passeata na calçada da avenida Paulista. Como não houve comunicação anterior, as pessoas não puderam ocupar as faixas da avenida, segundo a PM.

MANIFESTANTES

Entre os manifestantes, havia de jovens a pessoas de até 80 anos. "Estou achando lindo, nós no meio dos jovens", disse a dona de casa Silvana Marquezine, 70.

O programador André Tadeu aproveitou o ato para colher assinaturas em favor do voto distrital. "Sou mesário e vejo as pessoas que ficam um tempão escolhendo o deputado na hora de votar", disse. Ele conta que irá digitalizar as assinaturas para enviar a um site que defende a mudança.

Já o militar aposentado Marco Antônio Andrés Pascoal, 59, disse que veio para o protesto porque não quer que o país "vire uma Venezuela". "Antigamente, não tinha a corrupção como hoje em dia."

Pelo tamanho da mobilização na internet, as passeatas pelo país serão um teste importante para a capacidade de mobilização política via redes sociais.

O grupo Marcha contra a Corrupção, por exemplo, foi procurado por entidades como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e senadores da oposição, que vão pegar carona nos atos.

Segundo os organizadores, as marchas ganharam força depois da absolvição pela Câmara da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), flagrada recebendo dinheiro de um empresário de Brasília.

Outras bandeiras comuns são o fim das votações secretas no Congresso, a validação da Lei da Ficha Limpa e as suspeitas de irregularidades no governo Dilma Rousseff.

editoria de arte/folhapress
 

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